domingo, 25 de outubro de 2009

Tudo errado!



"A mulher tem uma coisa dentro de si, algo grosseiro, primário, estupidamente natural. Algo que é como uma voz. Algo que fica entre o hipotálamo e o cu. Uma voz que diz: esse sim, minha filha. Pode abrir as pernas. Esse não. Por mais pirotecnias financeiras ou existencialistas que um homem faça, quem decide a umidade de uma fêmea é essa voz." Tati Bernardi.


São Paulo, 23:16

Chega você exatamente 19 minutos atrasado, e eu que estava torcendo pra você me dar um bolo imenso fico irritada, sem explicações mais plausiveis, cobro teu atraso, mesmo sabendo que você atravessou a cidade olhando o mapa no teu celular pra não errar o caminho, e que fui eu quem mandei uma mensagem dizendo pra voce chegar atrasado porque meu compromisso ainda não tinha acabado. Você se desculpa, porque você tem esta mania de sempre ser perfeito, você quase se desculpou o dia que te deixei esperando mais de 50 minutos enquanto eu tomava champagne com meus amigos. E eu preferia um bolo sim, é dificil explicar, mas eu não queria toda esta perfeição de tentar me agradar o tempo todo, queria você cruel, me fazendo esperar, me deixando irritada, quem sabe assim eu me apaixonasse absurdamente por você e tudo estaria resolvido.

O semáforo se fecha e você me beija (quanto tempo mesmo os semáforos em São Paulo ficam fechados? uma eternidade?) abriu, ufa. Eu ja nem sei mesmo porque estou ali, deve ser pra provar que posso ser feliz no amor apesar de tudo, mesmo se felicidade for beijar rezando pra um semaforo abrir, cada um tem a felicidade que merece. Será mesmo que nao posso escrever um pedido pra prefeitura de São Paulo retirar alguns semaforos da zona Sul? (eu realmente pensei em tudo isso enquanto você me falava sobre teu passeio à Belo Horizonte e sobre sua vontade de me levar pra assistir o cirque du soleil, e sobre meu novo apartamento que deve ser perto do teu, e sobre teu trabalho que faz você ter dinheiro pra termos uma velhice boa juntos, e sobre todas estas coisas que me colocam algemas pra sempre, no que me parecia um ingenuo passeio por São Paulo).

Chegamos ao teu belo apartamento na zona nobre de São Paulo e você com toda sua pose de "serei um velho rico" tenta me impressionar de todas as formas possíveis... mas nada me impressiona, veja bem: eu estava contando quantos semáforos tinha a cidade enquanto você me beijava.

No teu quarto, meu pensamento voa longe e não, não é sobre teus carinhos me fazerem ter vontade de me casar e ter filhos, mas sim de tentar perceber de que material é o edredon ou o lençol, porque são macios e eu queria pra mim, penso nos meus compromissos do dia seguinte, na palestra que assisti, na prova, na necessidade de terminar meu tcc... opa, você estava aqui não é? desculpe, onde estavamos mesmo?

Bem, não sei porque motivo, você percebe que estou distante, então tem uma ideia surpreendente para nós mulheres: discutir relacionamento. Peraí, em que momento eu virei o homem do relacionamento? Respondo que não é nada com você (meu Deus, como eu nunca tinha reparado o quanto isso é clichê e patetico) mas você parece não se convencer e tenta adivinhar todas as coisas que você poderia ter feito e ter me chateado, coisas estas que eu nem lembrava e que nem passavam pela minha cabeça. No alto de sua auto-discussão e da sua reflexão sobre os meus medos (?) você conclui: eu quero namorar! Oi? EU quero? Quem disse? Não, não... vamos voltar pra onde paramos e xiu.

Não, nada feito, você esta decididido e se é assim que eu (?) quero então vamos namorar, e claro, ele esperava um SIM meu, ja que a ideia tinha sido minha (?) e ficou mesmo surpreso quando eu disse "não" e ficou triste quando eu repeti... então pedi um tempo pra pensar e ele ficou um pouco mais animado. Sim, sinto-me mal sendo pouco sincera, mas como magoar alguem tão perfeito? Ele é bonito, inteligente, trabalhador, rico e carinhoso... qual o motivo eu teria para magoá-lo? E por que mesmo estou dispensando este sujeito?

Tento resumir minha recusa à perfeição nos seguintes critérios: pele, cheiro e beijo, afinal o que mesmo adianta toda a perfeição quando estes três ingredientes não combinam? Ou sei la, se for tentar me auto-analisar eu diria que é um medo imenso de ser feliz e ser amada, ou não... será que era pedir demais uma noite com bons beijos e um bom jantar? Eu nunca disse que queria algo perfeito, eu nunca quero.

Cuide de você.



"Say you're sorry, that face of an angel
Comes out just when you need it to
As I paced back and forth all this time
Cause I honestly believed in you
Holding on the days drag on
Stupid girl, I should've known
I should've known
I'm not a princess, this ain't a fairytale
I'm not the one you'll sweep off her feet
Lead her up the stairwell
This ain't hollywood, this is a small town
I was a dreamer before you went and let me down
Now it's too late for you and your white horse
to come around"

(Taylor Swift - White Horse)


Então eu fui ingenua durante todos estes anos, acreditando como uma garotinha de 15 anos que todas aquelas suas incertezas e fugas eram provas de amor, falando assim parece até patético, mas pra aquela menina sorrindo no meu mural de fotos isto tudo tinha uma coerência. Agora não, agora aquela foto foi picada e devidamente jogada no lixo, não tenho mais você nem no celular e nem no computador. Você foi devidamente pra lixeira em todos os sentidos. Demorou, mas criei coragem.

Uma ultima mensagem apenas diz "é realmente uma pena terminar assim. Cuide de você." por que por incrivel que pareça, não era assim que eu tinha imaginado, talvez tenha sido como você sempre planejou, ou ainda você simplesmente não tenha pensado em nada, não tenha planejado nada, nem mesmo finais felizes... talvez tanto fez o tempo todo, eu que não enxergava.

Agora, sozinha, com certo vazio temporário, eu ainda nao sei como caminhar (ou como voar), mas aprenderei mais rápido do que voce imagina, eu sempre aprendo. As coisas ainda são um pouco novas, esta liberdade de poder encontrar novos horizontes vem embrulhada num papel de fracasso e isso não tras felicidade, contudo, a ausência de você me faz lembrar que nunca tive de verdade a presença, aliás, tenho certeza que ninguém nunca teve, porque tua forma de amar é fria, teu olhar é frio e teu coração é duro como rocha, duro de medos e incertezas, e eu mereço alguém que tenha coraçao recheado de vontade de ser feliz pra que eu me inclua ali com o mesmo desejo meu.

Cuide de você por que não lhe desejo mal, foste importante demais e a ti entreguei todas os meus sentimentos mais puros, toda minha sinceridade e todo meu desejo de fazer-te feliz, mas talvez você ja seja feliz mesmo sem mim, eu é que não era, que precisava de ti mesmo com todo o nada que tinhas pra me oferecer. Mania boba de viver do passado e de chorar meus enganos. Não quero mais... e nem preciso.

Espero, de coração, que você encontre novas borboletas que queiram te trazer alegrias apesar de você ser o cavalo que sempre as fere um pouquinho, como naquela historia que eu preferia não ter lido um dia, ou ter lido e ter me despertado algo mais do que vontade de auto-destruição. Ou ainda, espero que você deixe de ser o tal cavalo, que se encante pela nova borboleta e que possa descobrir os sentimentos mais belos. Desejo o mesmo pra mim, sem a parte do cavalo, é claro, prefiro algum pássaro que não tenha medo de voar longe e alto.

Quanto a nós: Acabou... alias, faz anos que acabou.



"Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo." Tati Bernardi

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Você por toda parte!


Estou sentada num café em Perdizes. Ao lado, muitos barzinhos sem enchem de estudantes da faculdade que tem logo a minha frente. No café temos: eu, um chá gelado, um pedaço de torta e um casal de namorados que teimo em ignorar. Você esta no meio da rua, falando no celular enquanto gesticula (provavelmente pra algum amigo teu que não sabe onde fica o bar), automaticamente você passou de terno e óculos escuros do outro lado da rua, tão lindo que fez com que eu pensasse em nossos filhos. Em frente a banca de jornal você está fumando (apesar de você não fumar) e olha o relogio a todo momento, ansioso pela chegada de alguém. Neste momento quase há um auto-atropelamento, pois você, que estava no meio da rua, não percebeu o carro que vinha em sua direção, ao volante pude ver que você estava dirigindo com os vidros abertos, música e olhar atento dentro dos bares. Eu, sentada, penso em todos estes você que parecem me perseguir mesmo quando não penso em você. Pois, perceba, eu não estava pensando em você quando sua presença me invadiu, eu nunca penso, você é que surge sem pedir licença. O casal se levanta e passa por mim tentando entender porque escrevo tão rápido e nem toco no chá e na torta, provavelmente eles nem perceberam sua perseguição, talvez eles nem tenham percebido quantos de você estavam naquela rua. Nem todos são capazes de ver a mesma pessoa em todos os lugares. Penso que falta o amor, ou a loucura, ou apenas a obsessão.

"Não sei se era você, veja bem, te vejo a todos os instantes saindo e entrando de todo e qualquer lugar e nunca, nunca, é você. Às vezes são até mesmo umas pessoas bem feias e diferentes e impossíveis de te lembrar. Mas tudo lembra e assim sigo te vendo por toda parte a todos os instantes (engraçado que no dia que era você não levei susto e cheguei mesmo a pensar que você não é você, mas essa é outra história). " Tati Bernardi (pq mulher é tudo igual mesmo ¬¬ )

domingo, 18 de outubro de 2009

Aprendi com você.


"Se enxerga que talvez
Eu saiba o que é melhor pra mim
Meu coração não morreu
Pode crer...
Pode crer que quem sonhar, um dia o sonho vem
Ah, eu não desisto dessa idéia de poder comemorar...
Você vai ver que tudo vai mudar"

(Diversão - Nila Branco)


Enquanto o mundo caia sobre minha cabeça, eu acabava de vestir meu salto alto.

Você sumiu como sempre e claro que isso faz com que minha imaginação vá a mil e minha auto-estima caia a zero. Contudo, comprei roupa nova, me maquiei e fui... fui com a certeza de que depois de tudo que você me fez nada e nem ninguem vai conseguir me magoar, aprendi com voce a vestir uma certa armadura e não ter medo de perder. Por incrível que pareça toda a insegurança que você me fez provar, me fez mais segura. Nada pode ser pior que este oco imenso entre o coração e o ventre.

E lá tinha realmente alguem que poderia ser você, tanto faz é tudo igual mesmo. Mas, naquele momento, eu não era a mesma de sempre, eu era alguem que fala "ja volto, fica aí" ou "depois a gente se encontra" ou ainda "se você está dizendo tanto que precisa ir porque não foi ainda?" e assim descubro que todo mundo ali é inseguro, que fala que vai só pra escutar um "fica vai" e não digo, aprendi que posso ser extremamente insensivel e fria. Aprendi com você.

No entanto, no meu celular tem inúmeras ligações depois, daquele que deixei esperando em vários momentos, que dei ordem e deixei sem justificativas. Para mim era apenas alguém que tinha o beijo bom e nome engraçado.

De agora em diante é assim que será, assim que você sempre pensou comigo, assim que aprendi.

sábado, 17 de outubro de 2009

O amor é passageiro.



"É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim." Tati Bernardi


Primeiro foi o filme que mostrava um homem maduro indo salvar a mulher que não percebia o quanto era linda e possivel de ser amada. Depois foi um amigo (que uma amiga preferiu chamar de "amigoqueridogalinhaegostoso" ) no bar contando as historias maquiavélicas que já havia praticado como vingança às mulheres. Logo em seguida, o "grande amor da minha vida", ou melhor "um deles", agora casado, ali parado no mesmo bar com um copo de bebida na mão me observando.
Eu não tenho a minima ideia do que ele pensava, mas eu pensava "foi nesta vida ou foi em outra?", pois veja bem, eu nem conseguia lembrar de nada que se passou, nem lembranças ruins e nem boas. A sensação que me dava era que foi outra que passou por tudo isso, não eu, eu jamais faria as coisas que a outra fez, não por aquele estranho.

Não o cumprimentei. Não por descaso nem nada, apenas porque era como se eu não o conhecesse. De repente não tive vontade de jogar um copo de bebida na cara dele por todas as maldades que ja tinha me feito, nem de dar um abraço e dizer que apesar de tudo foi bom, e nem de olhar, nada, nada. Simplesmente ele era menos amigo que o garçom que veio limpar a minha mesa, para este eu sorri, para o outro nem isso. Não sei se isso me torna uma pessoa fria ou insensivel... Prefiro acreditar que sou intensa, apenas, de uma maneira que quero sugar tudo das pessoas o quanto me são queridas, mas depois que elas passam por mim, depois que meu sentimento por elas esfria, eu esqueço, não foi comigo, não era eu.

Ali, sentada com um copo de vodka na mão e ouvindo as histórias absurdas do meu amigo galinha enquanto era observada por alguem que para mim, naquele instante, era um desconhecido, foi que eu percebi que um dia vou te esquecer. Você irá passar ao meu lado e talvez eu te cumprimente, ou talvez nem tenha vontade, porque não terá importancia, você será carta jogada fora. Talvez eu esteja chorando por outro na ocasião, ou esteja completamente apaixonada e sendo amada, ou ainda talvez esteja exatamente como ontem... sem expectativas nenhuma.

E neste dia, no dia que eu não mais te amar...
eu não sei, eu nem consigo imaginar!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Metamorfose!


"É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas." Clarice Lispector
.
A metamorfose nem sempre é bonita, mas quase sempre é necessária.
Sinto-me outra e esta outra tem desejos incontroláveis, ansia por viver, e uma alegria demasiadamente grande, tão grande que não aceita ser dividida com quem ama pequeno.
Com licença, mas estou transformando-me em algo que voa. Se quiser voar terá que ser ao meu lado, senão, infelizmente, terei que o deixar cair.
Estou começando um novo projeto, e neste novo projeto uma nova eu se dedica a escrever. Assim sendo, escreverei aqui verdades, realidades inventadas e mentiras bonitas. Nada precisa ser extremamente verdadeiro, afinal de contas, de verdadeira ja me basta a mim mesma.
Mas quero, antes de tudo, que o que eu escrever aqui me incentive a voar cada vez mais alto, experimentar novos ares e acreditar, novamente, que o amor foi inventado para fazer a gente mais feliz.
Indo em direção ao infinito, voando até encontrar um lugar seguro pra pousar e me refazendo a cada dia. Porque se não for pra viver grande, qual o motivo de estarmos aqui?
Sejam bem vindos ao meu lugar de descobertas! Que as minhas próprias descobertas díárias traga inspirações (principalmente a mim mesma) para novas metaformoses.