quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

D E S A C R E D I T A D A



"Linda, louca, leve e solta. Prontinha pra escolher, alguém na madrugada só pra substituir você"


Continuo voando. Vejo tudo lá de cima, como quem diz "ah ja vi este filme antes", nada me surpreende muito.

DESACREDITADA: esta é a palavra do momento no meu vocábulário. Como explicar? Bem, é mais ou menos assim.. sabe quando alguem te diz palavras bonitas do outro lado da linha e termina com um "eu te amo" e você pára, sorri, gargalha e diz "opa, quase me pegou hein" e desliga. Isso está sendo meus dias, aprendi a desacreditar no amor das pessoas, no carinho delas, nelas mesmas e até em mim.

Logo após tantos anos platonicamente apaixonada por uma pessoa, eu descobri que ele não era quem eu pensava, que o amor dele era fragil e que o meu amor nem era amor. O pior é isto, é ver que nem você mesma conseguiu se dar ao luxo de amar alguem na vida, como querer agora achar que o amor existe? eu não sei.

Quer me fazer um almoço especial pra alegrar o meu dia? Tá, a gente marca. Quer me emprestar sua casa de praia pra passar o meu reveillon? Ok, se precisar eu vou. Quer me ver no natal pra me dar um abraço? Vou ver na minha agenda. Quer me namorar no futuro? Poxa, até lá tanta coisa pode acontecer não é?... e assim eu vou, aceitando os presentes e deixando de ladinho, com sorriso no rosto, paz no coração e meu pezinho bem atrás.

Aprendi a desacreditar e hoje desacredito. Acho bonito e até me alegro, as vezes até consigo voar um pouco junto, mas meu vôo sempre se mantem independente, cada um voando do seu lado e do seu jeito. Não me atrapalhe.

E vejo meus "amores" passados, converso e vejo o quanto foi em outra vida, o quanto nada daquilo tem mais sentido na minha vida, foi, passou, acabou. E quanto mais percebo como foram estes amores, quanto mais lembro, menos tenho vontade de ter tudo isso novamente, de começar a subir a montanha que acaba num precipicio e cair, eu sempre caio, porque todos eles sempre me empurram.

Desta vez não, se alguém tiver que cair do precipicio eu quero ser o alguém que estará empurrando. Mesmo porque, durante todo este tempo, fiz das minhas lagrimas, penas para construir minha asa, ninguém agora pode me ver caindo dos relacionamentos, agora eu tenho asas pra voar bem longe de qualquer pessoa que tente me fazer sofrer. Sabe como é, desacreditei.



"Portanto, agora, quando eles sorriem pra mim, sentados de frente, quietos, eu apenas pergunto, já me tirando do lugar de ser gostada: e o que você tem pra mim, afinal? E eu sei futuramente que a resposta é avassaladora, passa por coisas alheias do tipo “nada” e por coisas lindas do tipo “e nada é a boa resposta, garota”." Tati Bernardi

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

euodeiocasamentos.com.br


Eu acho que odeio casamentos!

Eu odeio chorar quando vejo a noiva entrar, odeio as músicas bregas, odeio chorar no juramento, a decoração brega, o buffet disputadissimo, o chorar vendo eles tirando fotos, as crianças, o ficar horas se arrumando e só ter gente brega, as velhas gordas, odeio quase tudo.

Foi então que o padre disse "agora, eu quero que cada pessoa, dentro do seu silêncio, apenas com teu coração, faça um desejo para os noivos, o desejo mais importante", e tudo o que eu consegui pensar foi "que ele não seja filho da puta com ela" e ri, ri sozinha do meu próprio pedido completamente pessimista, mas juro que foi de coração.

Uma moça de uns trinta e poucos anos se aproxima e dá um susto na moça da minha frente. A primeira solteira com cara de "este é meu 27º casamento sozinha" e a segunda acompanhada de seu marido. A solteira resolve fazer companhia para o casal que parece estar muito bem, a solteira comenta tudo da festa, como quem ja conhece tantos outros casamentos, só não sabe como arrumar um. Por um momento quase pensei em puxar assunto de comadre.

A daminha de honra entra e eu lembro que nunca nem daminha fui. Poxa, podiam ter pensado nisso quando eu era criança e minha unica diversão era chutar a canela dos meninos, deviam ter pensado "esta aí nunca vai casar, vamos deixar ela brincar pelo menos disso e convidá-la para ser daminha" ou então nunca tenham me chamado exatamente de medo que eu chutasse a canela do noivinho, o que provavelmente aconteceria.

Logo me vejo planejando meu casamento, pensando "ah isso eu não faria" "não, no meu casamento vai ser de tal jeito" "oba, tem lirio, no meu casamento vai ter lírio"... casamento o que? acorda menina que nem amor permite ter no peito, que não se sujeita e não acredita em nada disso. De repente me veio novamente a revista, o psicologo, a amiga, o terapeuta, a mãe, a vida, o quase tudo falando que não fui feita pra isso. Então é que penso "acho que os pobres e feios casam primeiro, porque eles não conseguem avaliar quanta coisa boa tem no mundo", mas era só um pensamento feio pra eu me sentir superior a tudo aquilo. Estava cansada de me emocionar com toda aquela coisa bonita que faz o noivo chorar e a noiva limpar carinhosamente a lágrima dele enquanto se olham um no olho do outro. Respiro fundo e engulo o choro. Amanhã tudo isso já acabou, procuro pensar.

Então que veio a festa, eu alí sentada praticamente sozinha esperando os noivos chegarem, me olho feia e sem vontade e penso "mulher sem amor é como flor sem sol, murcha". Daí vem um menino que eu paquerava quando mais nova, todo feliz querendo cumprimentar a mim e a minha mãe que nem o conhecia. E eu digo feliz "oi .... André" , o nome saiu mas apesar do meu olho meio fechadinho com cara de "to tentando lembrar", inutil, não lembrei de onde mesmo conhecia aquele moço, mas lembrava que era André e que era bem bonito antes da calvície. Olhei, sorri, e virei pro outro lado, exercitando todo o meu potencial de pessoa que nem quer se aventurar a nada, quanto mais a alguem que um dia foi bonito.

Hora de pegar o bouquet, tantas solteiras ocupavam aquele espaço e eu nem tinha percebido. A preguiça é tanta que não me permite levantar para sequer tentar a sorte. A moça solteira dos trinta e poucos anos teve coragem e se levantou para tentar não ficar pra titia, e como tantas outras voltou sem nenhuma florzinha. Eu queria dizer pra ela que pessoas como nós temos temos concessão para ter preguiça em ter esperança. Eu tenho!

Pra dizer a verdade foi um casamento bem bonito. Na verdade é apenas toda esta preguiça que anda me assombrando e faz com que eu veja as coisas de uma maneira bem mais pessimista. Mas passa, eu sei que passa.

Bem, pra ser sincera não sei, mas há algo entre a minha preguiça e esta dor no peito com vontade de chorar, que diz pra eu ter esperança!




quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Meu castelinho.



Construí meu castelinho de areia tantas e tantas vezes...

Lembro-me do mais alto, onde lá em cima, na torre mágica, repousava meu principe, que era bonito, inteligente, bem sucedido e meu futuro esposo, tudo era sempre só amor. Pela distancia do chão até a torre era que nosso romance as vezes se desestabilizava, mas era só porque ele me amava muito. Ele era o príncipe que amava sua donzela, que era eu. Castelo de areia com a torre mais alta...

Tiveram outros principes que foram por tempo reduzido, mas com intensidade tão grande quanto esse.

Meu primeiro principe e primeiro castelo foi pelo menino da casa da frente, mesma idade, mesma escolinha, e todo nosso futuro estava interligado. E eu falava dele como se falasse de um esposo mesmo, era meu primeiro namorado. O mais inocente dos castelos... Castelo de areia feito a dois...

O segundo nem imaginava, era o mais bonito do colégio, loiro e de olhos azuis, e eu era como uma plebéia com o cabelo imenso de volume e a primeira da fila. Há um tempo atras implorava pra ficar comigo, e eu cheguei até em pensar em construir meus castelo de novo...

O terceiro era o da primeira comunhão. Eu era a menina boazinha, filha da catequista. Ele era o filho da outra catequista, mas era o rebelde. Ele era o que fumava e raspou o cabelo do dia pra noite. Mas eu podia faze-lo mudar, eu era muito inteligente pra minha idade, eu conseguia perceber que ele, se me amasse, como eu achava que amava, ele mudaria. Era o meu castelo de princesa, que também sabe rezar.

Os outros, foram tantos outros...., que eu nem sei... cada um era de um jeito, um formato, um tamanho, mas todos eles, além de agua e areia, tinham meus sorrisos, minha vontade de ficar cada dia mais bonita, minha disposição, meus sonhos e meu futuro. Havia alí uma vontade enorme de acertar e os olhos muito bem fechados pra verdade.

Foi então que eu percebi que só se pode construir castelos de areia em duas situações: quando se é criança, e por conseguinte inocente demais para acreditar que vem a onda e o distrói, ou quando se é adulto, e apesar de saber da ressaca do mar permite-se sujeitar. Ao contrário da inocencia do primeiro, vem a coragem do segundo. Há que se ter muita coragem para descobrir que nossos castelos podem ser desabados e mesmo assim construi-los.

O primeiro virou cantor de rock e nada nele combina comigo; o segundo é o tipico homem que foi bonito na adolescencia, não é mais, mas continua agindo como se fosse; o terceiro teve um filho aos 15 e nunca foi apaixonado por mim, nem sabia que eu era por ele; o principe da torre la no alto nunca passou do cavaleiro que queria trepar com a donzela, o que tinha namorada mas me amava casou; o que não tinha também casou, separou, e ainda acha que eu posso ser a esposa perfeita, só que agora sou eu quem não acho; aquele que só estava esperando ficar rico pra fazer de mim sua esposa, continua gastando teu pouco dinheiro no bar, cheio de gostosas, com os amigos, e etc, etc, etc.

Meu coração salta na boca cada vez que me encanto com alguem e eu ja começo a me interessar mais por modelos de vestido de noiva, já imagino quais seriam as palavras que eu iria falar, até ler uma revista que me diz "não", e um psicologo que me diz "não", e uma amiga que me diz "não", e minha mãe, e o moço da tv, e o livro, o blog, a vida, e até o cachorro que late mais forte pro pretendente... é tudo no mundo me dizendo "não, abra o olho menininha, você não pode se dar ao luxo de amar, isso é coisa pra gente ignorante, não se engane".

E as vezes tudo o que eu queria era me enganar, era ser leve, boba e enganada. Não é assim que viveram todas as pessoas que colocaram um vestido de noiva e subiram as escadas do altar com um sorriso no rosto?

Posso querer ter um sorriso no rosto?



"É uma pena, justo agora que meu castelinho tava quase pronto, veio a onda. Moço, me passa a pá e o baldinho? Vou, mais uma vez, construir meu castelinho"




domingo, 13 de dezembro de 2009

Preguiça de todo este nada!



"Saber um pouco de política só pra não fazer feio em jantares e ir a jantares só pra não fazer feio com amigos e ter amigos só pra não fazer feio com a vida. Mas no fundo, uma vontade imensa de não fazer porra nenhuma dessas. Mas vai, dura tão pouco e quando acabar, não gosto nem de imaginar a saudade que vou ter de mim. Porque no fundo, no fundo, isso que pode soar como tristeza é só uma constatação corajosa de que dói sentir tudo e inclusive (ou principalmente) a nós mesmos." Tati Bernardi


O problema é a preguiça. Preguiça de se apaixonar,de tentar, de errar, de fechar os olhos e se convencer que deixar rolar é a melhor coisa. Convenhamos, sempre dá errado. Tenho em mim uma carência que me cobre inteira (me cobre e me enterra), uma vontade de me doar, de amar grande, de ser amada completamente. Mas a carência é tão grande, o amar grande é tão grande, é tudo tão extremo, que minha carencia vira preguiça, porque ninguém é capaz de ser tão tão assim.


E dai eu converso com os casos antigos só pra ter a sensação de que já fui amada, e eu saio pra ter a sensação que ainda posso ser, e eu volto pra casa com a sensação de que nunca fui. Pois veja bem, ninguem é capaz de amar tão tão assim, então é falso. Só acredito nos amores mais ou menos, naqueles que me deixam com a sensação de que nem amor existe, dai eu acredito, porque acredito que as pessoas podem amar só o quase nada, afinal, o amor próprio é tão maior.


Tenho também a pressa. A pressa me atrapalha porque costumo ver as coisas antes que elas aconteçam. Não consigo me contentar com aquilo que me apresentam, preciso sempre ver além, saber antes, calcular o incalculável (ja que nem existe matemática suficiente pra isso). E quero os resultados, a perfeição, e quero já. Daí atrapalho tudo, meu coração solta na boca e eu quero já. Meu coração se cansa e eu não quero mais. E vivo neste misto em querer imediatamente e não querer nunca mais, como uma criança boba que ama seus brinquedos cada qual um dia.


E eu me canso, me canso porque não posso ter tudo e não me contento com o pouco que todo mundo parece dar. Ao mesmo tempo, não consigo dar pouco, e muitas vezes, nem muito.


Então lembro de você e vem um filme em minha cabeça de todas as vezes que você de alguma forma me rejeitou, naquele lugar onde tanta gente rejeita tanta gente, ao mesmo tempo que tanta gente chora por tentar amar o qualquer um. Alí estava eu, em minhas lembranças, chorando tentando amar o qualquer um, que era você. E pra minha surpresa, não tenho raiva e nem rancor, mas volta-me a preguiça de pensar que pode ter tantos outros "qualquer um" por ai. Me vem a carência, porque carencia também pode ser esta vontade de amar o "qualquer um" já que é tudo igual mesmo. O mais ou menos parece-me a solução, porque eu era mesmo tão feliz dando o máximo e recebendo o mínimo, sentia que amava, ja você não teve a mesma sorte.


E eu me confundo, me canso, me deixo e nem sinto.... porque sentir pode mesmo ser tão perigoso, e eu aprendi a ter medo, então nem quero. O "não querer" aqui não é um sentimento esnobe de que nada é bom o suficiente pra mim, mas sim um perceber que eu não sou capaz de tudo isso, de novo não!


"A maquiagem tinha custado cara demais para eu ir dormir antes de borrá-la." Tati Bernardi