
"Saber um pouco de política só pra não fazer feio em jantares e ir a jantares só pra não fazer feio com amigos e ter amigos só pra não fazer feio com a vida. Mas no fundo, uma vontade imensa de não fazer porra nenhuma dessas. Mas vai, dura tão pouco e quando acabar, não gosto nem de imaginar a saudade que vou ter de mim. Porque no fundo, no fundo, isso que pode soar como tristeza é só uma constatação corajosa de que dói sentir tudo e inclusive (ou principalmente) a nós mesmos." Tati Bernardi
O problema é a preguiça. Preguiça de se apaixonar,de tentar, de errar, de fechar os olhos e se convencer que deixar rolar é a melhor coisa. Convenhamos, sempre dá errado. Tenho em mim uma carência que me cobre inteira (me cobre e me enterra), uma vontade de me doar, de amar grande, de ser amada completamente. Mas a carência é tão grande, o amar grande é tão grande, é tudo tão extremo, que minha carencia vira preguiça, porque ninguém é capaz de ser tão tão assim.
E dai eu converso com os casos antigos só pra ter a sensação de que já fui amada, e eu saio pra ter a sensação que ainda posso ser, e eu volto pra casa com a sensação de que nunca fui. Pois veja bem, ninguem é capaz de amar tão tão assim, então é falso. Só acredito nos amores mais ou menos, naqueles que me deixam com a sensação de que nem amor existe, dai eu acredito, porque acredito que as pessoas podem amar só o quase nada, afinal, o amor próprio é tão maior.
Tenho também a pressa. A pressa me atrapalha porque costumo ver as coisas antes que elas aconteçam. Não consigo me contentar com aquilo que me apresentam, preciso sempre ver além, saber antes, calcular o incalculável (ja que nem existe matemática suficiente pra isso). E quero os resultados, a perfeição, e quero já. Daí atrapalho tudo, meu coração solta na boca e eu quero já. Meu coração se cansa e eu não quero mais. E vivo neste misto em querer imediatamente e não querer nunca mais, como uma criança boba que ama seus brinquedos cada qual um dia.
E eu me canso, me canso porque não posso ter tudo e não me contento com o pouco que todo mundo parece dar. Ao mesmo tempo, não consigo dar pouco, e muitas vezes, nem muito.
Então lembro de você e vem um filme em minha cabeça de todas as vezes que você de alguma forma me rejeitou, naquele lugar onde tanta gente rejeita tanta gente, ao mesmo tempo que tanta gente chora por tentar amar o qualquer um. Alí estava eu, em minhas lembranças, chorando tentando amar o qualquer um, que era você. E pra minha surpresa, não tenho raiva e nem rancor, mas volta-me a preguiça de pensar que pode ter tantos outros "qualquer um" por ai. Me vem a carência, porque carencia também pode ser esta vontade de amar o "qualquer um" já que é tudo igual mesmo. O mais ou menos parece-me a solução, porque eu era mesmo tão feliz dando o máximo e recebendo o mínimo, sentia que amava, ja você não teve a mesma sorte.
E eu me confundo, me canso, me deixo e nem sinto.... porque sentir pode mesmo ser tão perigoso, e eu aprendi a ter medo, então nem quero. O "não querer" aqui não é um sentimento esnobe de que nada é bom o suficiente pra mim, mas sim um perceber que eu não sou capaz de tudo isso, de novo não!
"A maquiagem tinha custado cara demais para eu ir dormir antes de borrá-la." Tati Bernardi
"querer imediatamente e não querer nunca mais"
ResponderExcluirtriste,lindo e tão nós duas!
Viver é mesmo para os corajosos.. e dói! Muito! Mas a gente chega lá..
To aqui remando o mesmo barcoo que ti.. vamos nos segurando para não afundar nesse lago humano que está cada dia mais frio e sem correntezas..
Te amo! E é de verdade.!