sábado, 9 de janeiro de 2016

A árvore, a velha e o menino.




Nada mais paulistano do que sofrer por amor em uma tarde de garoa, sentada em uma padaria sozinha. Ela olhava a árvore que parecia querer voar com seus galhos para longe, o garoto girando sem parar em volta de si mesmo, e a velhinha entrando na padaria e também a observando e admirando, quem sabe, sua juventude.

Ele chegou. Eles mal conseguiram olhar nos olhos um do outro. Ela sabia que não queria olhá-lo com medo de chorar em público, seria patético demais, pensava ela.

Conversaram amenidades, ultimas noticias do facebook, alguma fofoca boba e olharam as opções de cardápio para ele, ela já havia comido sozinha.

Com o tempo, ali sentada, ela começou a pensar que talvez fosse igual a arvore, querendo voar, mas por medo continuava com seus pés fincados ao chão; ou talvez como o menino, girando girando sem sair do lugar, tonta em volta de si mesma, cansada, procurando soluções por todos os lados mas ao fim parada no mesmo lugar; por fim se viu apenas como a velha, olhando para dentro de si mesma e pensando “...se eu fosse jovem, faria tanta coisa diferente, pena que já passou meu tempo.”

Então eles decidiram levantar, pagar a conta e ir embora (na verdade, ele decidiu, ela apenas o seguiu). “Não vou chorar, não desta vez” era apenas o que passava pela cabeça dela.


Já ao lado do carro, ele a parou e pediu para que ela decidisse: se iria embora com ele ou sozinha. Imóvel, olho no olho, ela chorou. Não porque estava triste, mas sim por saber que não era capaz de dar a resposta. Afinal era apenas arvore fincada, garota tonta e velha frustrada. Não tinha então coragem, foco e esperanças.