domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ironia.



Ironia é que durante todo este tempo eu achei que você era tudo, e durante quase todo o mesmo tempo você achou que eu era nada, e nem reparou que todo este tempo era tudo isso mesmo.

Ironia é hoje eu perceber que você foi minhas asas quando eu queria pousar e meu chão quando eu queria voar e coincidentemente, acho que o mesmo aconteceu contigo em relaçao a mim.

Ironia é o fato de todos os fatos terem acontecidos ordenamente de forma tão perfeita mostrando o quanto eramos tão imperfeitos um para o outro.

Ironia é eu estar sentada aqui percebendo isso como quem descobre uma grande novidade sendo que esta novidade me foi contada por ti na primeira vez que nos olhamos.

Ironia é que neste primeiro olhar de ti pra mim eu via antes todo o futuro e agora, quando lembro dele, percebo que, na verdade, teus olhos só refletiam um passado.

Ironia é eu ter passado tanto tempo tentando te provar que estes sentimentos massacrantes eram todos consequencias do amor e ter me massacrado tanto ao ponto de perder qualquer amor, principalmente por mim... e por ti.

Mas ironia... ironia mesmo, é o fato de eu estar feliz, apesar de todas estas ironias. Como um soldado que volta pra casa ferido e que apesar disso comemora, pois sabe que este tipo de guerra costuma causar a morte e ele sobreviveu, apesar de tudo, à catastrofe.

Afinal, quando se pensa que a guerra é por uma causa justa e se descobre que nenhuma guerra é, quando se pensa que é amor pra valer e era apenas enganação, tudo o que se pode fazer é comemorar o fato de ter sobrevivido a catastrofe. E talvez, se ainda houver o bom humor, escrever sobre a ironia que é dar ao coração, também, a função de pensar

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Em mudança (de mudança)



E não é que de repente o ano começou a mudar? Eu sei que 2010 ja começou faz bem uns 50 e poucos dias, mas pra mim não. Sempre parecia que meu ano de 2009 queria se esticar mais um pedacinho como se ele dissesse "não, vai, seja sugada um pouquinho mais por toda aquela maré de azar... as coisas boas só começam a aparecer quando você está la no fundinho do poço".



Parece exagero se referir ao ano passado como um fundinho de poço, mas foi ano de doença na família, de separações, de ilusões desiludidas e de começos cheios de tropeços. Ah se vocês soubessem como é dificil querer começar a viver através do sentir... o sentir sempre provoca alguns embaraços e algumas quedas, mas um dia a casa se levanta e a gente vê que bem lá no quintal tem um lindo pé de goiabeira, de começo você vê que nem gosta tanto assim de goiaba, mas que o quintal é grande e tanta coisa dá pra plantar.



Sei que, como manda o querido Exupéry, temos que amar aquilo que cativamos, e em certas partes até concordo, concordo mesmo que aquelas coisas que tem intimidade misturada com respeito sempre rende bons frutos, não há como discordar (que aliás foram muitas da minhas grandes amizades que me fizeram ver isto estes dias, e chorar, como toda boba quando percebe o quanto tem gente que realmente gosta de você), mas exatamente por ver que tenho tantos amigos e amores que cativei durante todo este tempo é que me fez repensar sobre o cativar. Vou tentar me ser clara, acontece que no quesito amizade sempre procuro os que me são proximos, os faceis, os que ja gostam de mim logo de cara, os outros não, tenho preguiça. Mas no quesito amor eu faço tudo ao contrário, quero cativar os que estão distante, os impossíveis, e com todos os desvios de caráter do mundo. Por que? Eu acho realmente que tenho que cativar as pessoas que amo, mas por que não amar aqueles que estão tentando me cativar? Por que o amor tem que ser sempre o caminho dificil? O impossível?



E é dai que surge a minha mudança, da dúvida, do querer compreender, do ME compreender pra depois querer entender o mundo, a grande mudança acontece cá, dentro da gente, o mundo vem depois.



Com tudo isso vem também minha duvida sobre alguem ser merecedor de tudo este amor que guardo aqui, de confiar novamente, de querer quebrar a cara novamente. Se não confio nem em mim mesma, (nem neste tamanho tão grande de amor) como posso confiar em outra pessoa? Afinal de contas eu mudo de opinião como mudo de roupa (aliás como mudo de linha de escrita também, diga-se de passagem) como vou querer que alguem me queira pra todo o sempre, com juramentos e todos as regalias dos casais apaixonados, será que isso realmente existe? Será que o simples existe?



Quando eu era pequena eu desejava um homem tão perfeito que minha melhor amiga me dizia "até parece que você desenha alguem assim pra nunca encontrar ninguem" e talvez seja isso, talvez o homem do meu sonho nem exista porque eu nem acredito que realmente o "homem dos sonhos" de alguem possa existir. Quem sabe seja mesmo tudo propaganda de margarina.



Enfim, o pior de todas estas reflexões que não se ligam nem hipoteticamente, do fato de eu estar indo dormir e resolver escrever só por desencargo de consciencia, de eu estar em total mudança de personalidade, de casa, de pele, de fala, e de desejos... apesar de todas estas controversias que deveriam me angustiar, estou feliz, grande, responsavel e com uma ansiedade maior do mundo.



Além disso, por mais incrivel ainda, estou tranquila... com a tranquila ansiedade da certeza da duvida, afinal, pra ser feliz, pra ser humano, nada pode ser igual a ontem, cada dia novas duvidas e assim vamos fazendo nosso mundinho. Não é o desejado? Pode ser, mas quem disse que seria tudo desejado? Da duvida se faz o conhecimento, e do conhecer surge novos desejos, e eu quero o novo, cansei do desejo limitado de sempre.

(e pra quem quiser (e for facil, e sincero, e sorridente, e gostar de mim), estou esperando com as tacinhas pra brindar a chegada do meu ano atrasado)