sábado, 14 de agosto de 2010

Perdida.


"Find me here and speak to me, I want to feel you, I need to hear you" Everything

Passaram-se anos... minha vida profissional foi cada vez se alterando mais. Veio a faculdade, com todas as suas loucuras e bebedeiras, me formei. Junto a tudo isso vieram amores, amizades, brigas, reconciliações, recomeços, "refinais"... e você nunca foi embora de mim.
Hoje, tentando lembrar todas as vezes que você surgiu na minha vida, todas as que desapareceu e todas as que estava ali mas era como se não estivesse... não sei, nem consigo mais lembrar, foram tantos anos de tumultuada montanha russa, que nem sei.
O que eu sei é que durante todo este tempo eu nunca te deixei ir. Estou tão acostumada em terminar em mim os meus sentimentos toda hora, toda vez... e não consigo compreender porque nunca, de verdade, me deixei terminar você.
Você não é alguem em quem posso confiar, e confio. Não é alguem que me cobra presença mas sempre estou lá. Não é alguem que se faz ser amado, mas te amo. Não, não é amar de loucura, de querer você pra mim, de posse, de ciumes... é amor de amor , sabe? Provavelmente não.
A unica coisa que posso falar de maneira simples é que vivo querendo ter amores na minha vida pra deixar de te amar por alguns segundos; que queria poder cuidar de você, sentar ao lado pra ver um filme, ou ficar sentada e não falar nada, apenas ficar; a unica coisa que posso falar é que sou muito mais poeta depois que te encontro, sempre.... e hoje não estou poeta, te perdi novamente. Sempre que te perco, me perco.

sábado, 12 de junho de 2010

Estepe.


"Apesar de soar isso sim egoísmo, não deixo de me ouvir dizendo que quem gosta sente é o desespero pra agradar e ser gostado. A urgência de mostrar ao invés de assistir. A pressa em dar ao invés dessa receptividade toda tão corajosa em acomodar." Tati Bernardi

O dia hoje é frio, teu olhar é frio e sua voz parece quase não sair, congelada.
Até algum tempo você já era meu marido, com nosso filho que estava pra chegar da escola, com o jantar especial que fiz porque o trabalho hoje estava tranquilo e consegui sair mais cedo, com o jogo de quarta-feira, com o vinho e o macarrão e o beijo de boa noite e o "bom dia" de bom dia. Até estes dias eu era "eu e você" num futuro, ainda que distante, bonito.
Hoje, como quem não quer nada, você acordou um estepe de bicicleta. Provavelmente pelo dia de frio, ou pela necessidade de eu te colocar num lugar onde eu quase nem enxergue, pra que eu possa achar que o frio que eu sinto é só do tempo. Ou ainda, pela convicção de que não é.
Você estava ali ao meu lado sem pensar em absolutamente nada (porque você nunca está em pensando mesmo) e eu já estava arquitetando qual seria meu próximo marido, ainda que nosso casamento tenha sido apenas no plano das idéias eu estava te colocando chifres naquele exato momento. De repente percebi que aquele casamento da maneira que eu tinha imaginado havia se tornado uma pedra de gelo e antes que ela derretesse e eu só pudesse ficar vendo triste tudo se desfazer na minha frente, resolvi substituir logo o tudo que virou nada e você teima que temos. Mas nem é de verdade.
Um estepe porque não tenho mais a coragem que tinha antes. Com os tombos aprendi a ter medo de andar de bicicleta com o pneu murcho sem nenhuma garantia, então levo sempre um estepe pendurado nas minhas costas. Ainda que o peso do estepe pendurado a faça doer um pouco, como quem diz que algo está errado, pelo menos não tenho a insegurança de que posso cair e me machucar se não tiver você por perto. Mas meu andar de bicicleta contigo enrolado no meu pescoço é feito bem devagarzinho para que eu vá por aí analisando se não encontro outra bicicleta com o pneu cheio pra assim eu trocar o pacote inteiro e me livrar de uma vez por todas do peso de segurança que você faz sobre minhas costas.
Enquanto não encontro quem realmente vai me levar pra passear por aí  e esquentar meu coração, deixo você de estepe, ainda que pesando em minhas costas e gelando meus pés. É o castigo por não ter nunca aprendido amar e, sendo assim, achar que não cair de alguma altura muito alta já é o bastante.


"En fait, elle est um peu lâche" - Amelie Poulain

domingo, 30 de maio de 2010

A Coisa!


É a Coisa que atrapalha meus relacionamentos. Eu sou amável, doce e adoro fazer o homem que está ao meu lado feliz, mas a Coisa, a Coisa não deixa, ela sempre se intromete e faz com que todos eles corram de mim.
A Coisa sente o cheiro, ela percebe que ele é importante, então ela age.
Ele estava pacientemente abrindo a porta do carro para mim, e ela ja me colocou dentro de uma carruagem com direito a cavalo branco e tudo.
Enquanto ele preparava nosso jantar, ela já tinha nos casado. Não o casamento bonito com véu, grinalda, bolo com bonequinhos em cima e damas de honra. Não. A Coisa já tinha nos casado e já estavamos levando a vida de casados. Daquelas vidas de casado que eu tinha que abandonar minha profissão pra dar uma educação melhor pros nossos filhos, que eu fazia o jantar uma vez na semana (na folga da empregada) e que a gente tem nosso apartamento e carro e contas e amigos e filhos e tudo aquilo em que você não pensava enquanto fazia nosso jantar. A Coisa pensava, ela sempre pensa antes.
Acontece que nem sempre a Coisa pensa coisa boa, as vezes ela surta. Ela, que se diz boa defensora minha, também se revolta, pois estou ali casada com dois filhos e abandonando tudo pelo nosso amor e nem consigo ver o quanto fui usada durante este tempo todo. O quanto de insegurança ele me fez passar. Então ela reclama. Não, não fui eu reclamei a você, querido. Foi a Coisa, ela sempre reclama.
Então é neste momento que os homens percebem que eu tenho a Coisa. Sim, ela está dentro de mim, eu não queria, juro que não, mas ela me invadiu e não tem jeito de fazê-la ir embora ou pelo menos calar. Eu respiro, tento acalmar a Coisa, fazer com que ela perceba que nem sempre o tudo tem que ser tão tanto assim, que as vezes este tudo que ela me deseja pode ser aos poucos, quieto. Que o tudo não precisa ser dormindo, mas pode ser sonhando (percebe a diferença, Coisa?).
Ela não ve coisa alguma (é, a Coisa não vê coisa alguma), ela está tão cheia de todos estes pensamentos que ela constrói que fica inchada, gigantesca e explode dentro de mim. 
Quando você me vê inquieta e me pergunta se você fez algo de errado eu digo que é coisa minha. Mas é mentira, porque a Coisa não sou eu e o que tem de errado é ela dentro de mim. Daí o problema é que você insiste na pergunta, não acredita na resposta. Penso até mesmo em responder, em culpar a Coisa, mas ela se antecipa, com medo de que a tire de dentro de mim e grita, grita o mais alto que pode. Acontece que você não pode ver que não sou eu quem grita, que é a Coisa. Por isso é de mim que você foge.
E é assim que sempre sobro sozinha. Sozinha não. É por isso que sempre sobro Eu e a Coisa. O bom é que longe de todo mundo ela me deixa ser quem eu sou, me deixa respirar e não faz planos sobre tudo o tempo todo. Longe de todo mundo ela fica quietinha e pelo menos me deixa dormir.
Boa noite, Coisa.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Amor pra recordar!


"You gave it all but I want more... And I'm waiting for you"

"Ele ri mais um pouco, segura firme na minha mão, eu quero contar, ele merece saber, eu estou amando e super feliz de brincar de amar e ser feliz"


Escrevo isto não para que alguem leia, mas para que eu nunca me esqueça do quanto fui feliz nestes dias.
.
Você está vindo em minha direção e tudo que eu penso é "chegou o momento", tanto tempo esperando e nem sei como reagir ao "oi", então você se aproxima como se nosso encontro acontecesse todo dia, me olha, me da um beijo na boca, um abraço e pede pra eu te entregar a mala pra você carregar. Tão simples e natural que eu já me sinto em casa sem termos chegado na tua casa ainda.
Agora estamos no teu carro e nele você me conta toda a maratona que foi pra fazer todas as compras tentando adivinhar do que eu mais gostaria, e na duvida entre um e outro você tinha comprado tudo. Teu apartamento é lindo e tão limpo, porque até neste detalhe você pensou. Em cima do microondas as duas taças de vinho de menino que quer ser homem e compra apenas duas taças pra impressionar a mulher. Enquanto tomo banho você prepara a mesa, como se fosse um homem mesmo. Queijos cortados e separados (pra não misturar o gosto), o vinho dificilmente aberto pelo saca-rolhas que você jurava que era bom mas nunca tinha testado, pates, petiscos, pães de vários tipos. Tudo minuciosamente programado pra me agradar. Serio mesmo que você achou que não me agradou já no primeiro beijo? Na duvida você me beija varias vezes pra compensar qualquer erro. Não tem nada de errado, mas aproveito todos os beijos, se posso ter tudo, quero tudo. Escuto todas as musicas da pasta com meu nome do teu computador, todas as musicas romanticas que você pensou que eu poderia gostar... eu apenas sorrio, não consigo dizer nada.
Depois do jantar perfeito você me leva pra conhecer tudo, me mostra todos os detalhes da tua cidade e eu nem presto tanta atenção na quantidade de bares e baladas existentes, entenda, meu coração tava saindo pela boca de felicidade, não cabia mais informação em parte nenhuma do meu corpo.
Na volta, divido contigo angustias, porque sou mulher insegura e medrosa, e tenho medo de tudo isso ser grande demais, bom demais, rapido demais e eu não conseguir segurar tudo com as mãos, quando você não segura acaba por transbordar pra todo lado e você acaba perdendo o que não queria perder. E você entende tudo, se preocupa com tudo e comigo e se diz homem, faz questão de firmar , do alto dos teus 23 anos, que não é moleque e que gosta de mim de verdade, pede pra que eu acredite. E eu? eu to sonhando com tudo tão alto, vendo tudo com tantos detalhes, escutando todas as suas vozes, e sons, e musica... sentindo o gosto de tudo ao mesmo tempo que nem consigo racionalizar tudo, então aceito, aproveito, quero e me deixo ir... é você! Não pode ter nada de errado sendo nós ali. E não é.
Agora é manhã e você prepara o meu café com tudo que eu possa querer e que você tenha. Me mima de todas as formas possiveis. E eu amo cada vez mais... e eis que começa o meu dilema: como vou dizer pra ele o quanto estou apaixonada? este tipo de coisa se fala? ou posso só ficar quietinha aqui no meu canto olhando e sorrindo pra tudo que ele me faz? dai no meio da conversa ele me chama de "amor" e penso que de repente já tá tudo meio que combinado.
O jantar é no melhor restaurante que ele conhece de comida japonesa porque sabe que eu adoro. Ele quer ser tão homem pra pagar a conta e se deixa ser tão menino aprendendo comigo como segurar os hashis e eu o acho lindo exatamente por não ser nem uma coisa e nem outra. Ele me chama de amor e se surpreende, pois nem ele mesmo tinha se dado conta que me chamava assim, e acho que foi aí que ele também entendeu que de repente já tava tudo meio que combinado mesmo.
E a noite, ele me olha de uma maneira que nao consigo explicar, mas eu sinto que devo ser a mulher mais linda do mundo, e nem sou, mas gosto de como ele se empresta a esta vontade de me deixar ser. Então sou e o deixo ser.
Tem também os momentos que falamos de qualquer coisa, de nossas vidas, de nossos pais, do trabalho, dos amigos... como se estivessemos abrindo as portas da sua intimidade pro outro, chamando pra visitar o mundo do outro,  e eu que costumo entrar em todas as portas que me abrem, vou sem ao menos bater na porta. Mas com ele não sou barrada em nenhum momento, pelo contrario, ele vai na frente, me mostrando os cômodos. E eu fico ali quieta pensando em como falar pra ele que estou apaixonada, ele quer saber o porque do meu silencio e eu disfarço.
O ultimo dia é sempre mais triste, odeio viagens quando se acabam. Ele me diz que promete que vai tentar não ficar triste, mas, na verdade, os dois estão e quando chega a hora de partir as palavras não saem, também com este nó bem no meio da minha garganta fica dificil falar, me despeço e quando ele já não pode me ver deixo as lágrimas rolarem, eu que não sabia como falar "Oi" agora não sei como falar "Tchau". Será mesmo que não podemos viver só com o intervalo dos sentimentos? está coisa de inicio e fim faz com que meu coração sempre saia pela boca de tanto medo e eu ando querendo o sentimento calmo do "de repente tá tudo combinado mesmo".
Por fim, vou o caminho inteiro pensando nos motivos que eu não tive pra dizer o quanto estava apaixonada por ele.
E ainda estou! Não tem como não estar...


"I came a part inside a world

Made of angry people
I found a boy
Who had a dream of making everyone smile
He was sunshine
I fell over
My feet like bricks underwater
and How am I supposed to tell you how I feel?
I need oxygen"

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Fica com Deus"


"(...)porque você brinca de ser meu, mas mora do outro lado mundo.
E eu não sou atleta e nem forte para correr tanto e tão longe, por isso gostaria de destruir tudo o que é seu do meu mapa."
Tati Bernardi
 
Era tudo tão perfeito que qualquer um poderia ver que não iria dar certo. O que me faz querer ficar na cama sem ao menos virar de lado é que eu estava feliz, você estava feliz... porque parecia que ambos tinhamos dado uma rasteira no mundo e encontrado as pessoas perfeitas um pro outro. Mas não é, o mundo todo é que deu uma rasteira. Nem foi por culpa tua... o mundo é que sempre me persegue. Quando ele não coloca o ser humano mais imperfeito do mundo no meu colo, ele me joga no colo do impossivel... e quando ele não faz nenhuma coisa e nem outra, ele arruma um jeito de me fazer chorar, ele atrapalha tudo.
Eu sei que não precisava ser assim, que eu que atropelei tudo agora no finalzinho do sentimento, mas sabe o que é, de repente me descobri te adorando demais pra ver isso se acabar. Melhor assim, melhor acabar com o mundo como culpado do que como um de nós dois. Você é bonito demais pra isso.
E se é a decisão certa, se tudo ao meu redor está me mostrando que isso era o que eu deveria fazer... por que razão eu tenho um oco imenso dentro de mim? Este oco deve ser a falta de você. Você acabou de partir de mim, e você nem sabe disso, e no entanto eu já não te sinto mais. Como a gente pode ir embora sem fazer uma mala, sem dizer adeus e sem um ultimo beijo? Apenas o acreditar na solução da ida?
Engraçado como meu egoismo me soa como um excesso de altruismo. Impossivel? Não. Acontece que minha ida sem explicações será muito mais facil de ser superada pra você do que pra mim. Eu vou ter que matar o que sinto sem nenhuma razão obvia e você terá o fato de eu o ter abandonado. Nem sempre quem parte sofre menos, fez menos, quis menos. As vezes, é muito pelo contrário.
Mas sabe... é o mundo fazendo dar tudo errado e eu não sou tão forte pra lutar contra, mas se eu pudesse... se eu pudesse eu nunca me deixaria ir.
(E o que mais me deixa triste é dizer "Fica com Deus" pra aquele que me dizia isso todos os dias, me fazendo me encantar cada vez mais, por saber que este "ficar" duraria apenas algumas horas e ele queria me ter protegida. Agora sou eu quem o protege. Do meu jeito, mas é. Espero que algum dia ele entenda)
 
"e eu sem uma chance pra dizer, o quanto estava apaixonada por você."
Tati Bernardi 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Logo eu...

"Sei, eu sei que vejo mais do que eu deveria
Mas é que eu sou mesmo assim
Sinto, eu sinto tanto a sua falta todo dia
Volta e traz você pra mim
Quem mandou você passar pelo meu caminho?"
(Tudo certo - Luiza Possi)

Foi então que ele me perguntou o que acontece quando se quer tanto uma coisa, e o tempo passa e você continua querendo cada vez mais e está prestes a conseguir... Eu achei tão fofo que nem acreditei que ele estava mesmo falando de mim. Sei lá, é que de repente parece que estamos dando uma rasteira no mundo inteiro, encontrando exatamente quem queriamos no momento ideal. É tudo tão certo que parece errado.
Não dá pra acreditar ser eu aqui vivendo isso. Não posso de verdade querer falar com ele a todo momento, lembrar de cada movimento e palavra, querer ficar junto com uma ansiedade monstruosa, ficar respirando fundo varias vezes durante uma conversa... não posso de verdade estar sentindo todas estas coisas e ainda assim continuar vivendo como se não fosse imensa. Sim, porque meu sentimento me deixa cada dia maior, é como se não coubesse todos estes vocês na minha eu antiga, então me duplico, me multiplico, quero ser todas cada vez mais pra você.
Dizem que gostar de alguém nos torna patéticos. Se isso é ser patético quero mesmo é morar num circo. Não tenho medo de sorrir aquele sorriso que aperta o coração. Se este riso geralmente causa lágrimas pela montanha russa que é o sentimento, tudo bem. Prefiro cair do brinquedo do que deixar de brincar, minhas cicatrizes são a prova disso.
Não tenho medo nenhum e nem segredo nenhum. Sou esta inteira desnudada em sua frente como um caderno em branco esperando que você se divirta pintando.
Logo eu que até mesmo jurei que nunca ia ficar tão vulnerável a alguem, me vejo sorrindo enquanto sou arrastada pelo teu sorriso.
Logo eu que nunca quis ter a responsabilidade de ser dona do carinho de ninguém, que preferia afastar as pessoas pra não ser cobrada de falso amor, ando aqui fazendo promessas e segurando bem forte a cama elástica pra você poder pular bem alto.
Logo eu que achava que voar era um modo de se livrar dos sentimentos, ando voando por ai com asas feitas de você.
Logo eu que um dia te conheci desacreditada, hoje acredito! E quero... quero cada vez mais...


"Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer


Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber"


(Apenas mais uma de amor - Lulu Santos)

domingo, 28 de março de 2010

Surpreendida... surpreendendo!


Ontem eu voei e ele caiu, e por incrível que pareça, nem fui eu quem empurrei.
É claro que minhas tantas promessas de amor encheriam um livro com toda aquela novela mexicana, é claro que eu sempre seria tua, independente de qualquer coisa, e é claro que você sabia de tudo isso e nem desconfiava do contrário.
Acontece que eu, como toda boa sonhadora, acredito de verdade e sinto de verdade. Sinto os extremos e vou até o finalzinho de todo sentimento (não o final onde todo mundo chega, mas aquele que a pessoa cavoca os corações de pedra com uma britadeira de altruismo e arranca até dali o que não se tem, pra poder dormir em paz).
Sendo assim, meu sentimento por você foi cavocado, ampliado, sentido de tal forma, de maneira tão gigante e apaixonada, que acabou e você nem viu.
Você não percebeu o fim do meu amor pois estava ali vivendo sua vida, como se eu nem existisse. E o tempo que eu pensei que foi há um ano, que você me contou que foi há três e que, na verdade, foram cinco passou com tal velocidade e preenchido com tanta coisa que não era você que eu te esqueci pra sempre.
Aposto que você pensava que minha perna tremeria e que meu abraço ia ter algum indício de sentimento. E ficou alí me elogiando, e dizendo das saudades e sorrindo de todas as formas possíveis pra me encantar de qualquer forma. Pra que mesmo? Pra ter tudo aquilo que você nunca quis de volta?
Sinceramente, por dentro, eu ri, não por estar encantada e nem por prestar atenção nas miudezas que você falava, eu ri porque estava ali tentando entender onde aquela eu tinha se escondido, eu ri porque na verdade nem sabia se tinha sido eu mesma quem sentiu tudo aquilo, eu ri porque via toda aquela situação de cima, como se observasse uma cena de novela.
Nesta novela, na minha novela, você foi apenas aqueles personagens coadjuvantes que morrem no primeiro capitulo, e isso faz a mocinha sofrer até o terceiro capitulo, pra poder, no quinto, se recuperar e ser amaparada por um moço forte, bonito e sincero.
E ali, de pé na minha frente depois do abraço, você deve ter percebido, quando eu virei as costas, que desta minha escada que me leva ao que é certo de verdade, você foi apenas um degrau.

"Fui feliz. Fui triste. Te perdi. Me encontrei. Assim é a vida"
Fernanda Mello

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ironia.



Ironia é que durante todo este tempo eu achei que você era tudo, e durante quase todo o mesmo tempo você achou que eu era nada, e nem reparou que todo este tempo era tudo isso mesmo.

Ironia é hoje eu perceber que você foi minhas asas quando eu queria pousar e meu chão quando eu queria voar e coincidentemente, acho que o mesmo aconteceu contigo em relaçao a mim.

Ironia é o fato de todos os fatos terem acontecidos ordenamente de forma tão perfeita mostrando o quanto eramos tão imperfeitos um para o outro.

Ironia é eu estar sentada aqui percebendo isso como quem descobre uma grande novidade sendo que esta novidade me foi contada por ti na primeira vez que nos olhamos.

Ironia é que neste primeiro olhar de ti pra mim eu via antes todo o futuro e agora, quando lembro dele, percebo que, na verdade, teus olhos só refletiam um passado.

Ironia é eu ter passado tanto tempo tentando te provar que estes sentimentos massacrantes eram todos consequencias do amor e ter me massacrado tanto ao ponto de perder qualquer amor, principalmente por mim... e por ti.

Mas ironia... ironia mesmo, é o fato de eu estar feliz, apesar de todas estas ironias. Como um soldado que volta pra casa ferido e que apesar disso comemora, pois sabe que este tipo de guerra costuma causar a morte e ele sobreviveu, apesar de tudo, à catastrofe.

Afinal, quando se pensa que a guerra é por uma causa justa e se descobre que nenhuma guerra é, quando se pensa que é amor pra valer e era apenas enganação, tudo o que se pode fazer é comemorar o fato de ter sobrevivido a catastrofe. E talvez, se ainda houver o bom humor, escrever sobre a ironia que é dar ao coração, também, a função de pensar

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Em mudança (de mudança)



E não é que de repente o ano começou a mudar? Eu sei que 2010 ja começou faz bem uns 50 e poucos dias, mas pra mim não. Sempre parecia que meu ano de 2009 queria se esticar mais um pedacinho como se ele dissesse "não, vai, seja sugada um pouquinho mais por toda aquela maré de azar... as coisas boas só começam a aparecer quando você está la no fundinho do poço".



Parece exagero se referir ao ano passado como um fundinho de poço, mas foi ano de doença na família, de separações, de ilusões desiludidas e de começos cheios de tropeços. Ah se vocês soubessem como é dificil querer começar a viver através do sentir... o sentir sempre provoca alguns embaraços e algumas quedas, mas um dia a casa se levanta e a gente vê que bem lá no quintal tem um lindo pé de goiabeira, de começo você vê que nem gosta tanto assim de goiaba, mas que o quintal é grande e tanta coisa dá pra plantar.



Sei que, como manda o querido Exupéry, temos que amar aquilo que cativamos, e em certas partes até concordo, concordo mesmo que aquelas coisas que tem intimidade misturada com respeito sempre rende bons frutos, não há como discordar (que aliás foram muitas da minhas grandes amizades que me fizeram ver isto estes dias, e chorar, como toda boba quando percebe o quanto tem gente que realmente gosta de você), mas exatamente por ver que tenho tantos amigos e amores que cativei durante todo este tempo é que me fez repensar sobre o cativar. Vou tentar me ser clara, acontece que no quesito amizade sempre procuro os que me são proximos, os faceis, os que ja gostam de mim logo de cara, os outros não, tenho preguiça. Mas no quesito amor eu faço tudo ao contrário, quero cativar os que estão distante, os impossíveis, e com todos os desvios de caráter do mundo. Por que? Eu acho realmente que tenho que cativar as pessoas que amo, mas por que não amar aqueles que estão tentando me cativar? Por que o amor tem que ser sempre o caminho dificil? O impossível?



E é dai que surge a minha mudança, da dúvida, do querer compreender, do ME compreender pra depois querer entender o mundo, a grande mudança acontece cá, dentro da gente, o mundo vem depois.



Com tudo isso vem também minha duvida sobre alguem ser merecedor de tudo este amor que guardo aqui, de confiar novamente, de querer quebrar a cara novamente. Se não confio nem em mim mesma, (nem neste tamanho tão grande de amor) como posso confiar em outra pessoa? Afinal de contas eu mudo de opinião como mudo de roupa (aliás como mudo de linha de escrita também, diga-se de passagem) como vou querer que alguem me queira pra todo o sempre, com juramentos e todos as regalias dos casais apaixonados, será que isso realmente existe? Será que o simples existe?



Quando eu era pequena eu desejava um homem tão perfeito que minha melhor amiga me dizia "até parece que você desenha alguem assim pra nunca encontrar ninguem" e talvez seja isso, talvez o homem do meu sonho nem exista porque eu nem acredito que realmente o "homem dos sonhos" de alguem possa existir. Quem sabe seja mesmo tudo propaganda de margarina.



Enfim, o pior de todas estas reflexões que não se ligam nem hipoteticamente, do fato de eu estar indo dormir e resolver escrever só por desencargo de consciencia, de eu estar em total mudança de personalidade, de casa, de pele, de fala, e de desejos... apesar de todas estas controversias que deveriam me angustiar, estou feliz, grande, responsavel e com uma ansiedade maior do mundo.



Além disso, por mais incrivel ainda, estou tranquila... com a tranquila ansiedade da certeza da duvida, afinal, pra ser feliz, pra ser humano, nada pode ser igual a ontem, cada dia novas duvidas e assim vamos fazendo nosso mundinho. Não é o desejado? Pode ser, mas quem disse que seria tudo desejado? Da duvida se faz o conhecimento, e do conhecer surge novos desejos, e eu quero o novo, cansei do desejo limitado de sempre.

(e pra quem quiser (e for facil, e sincero, e sorridente, e gostar de mim), estou esperando com as tacinhas pra brindar a chegada do meu ano atrasado)




domingo, 24 de janeiro de 2010

Como um patinho feio!


O palco é grande e tem milhares de holofotes que apontam pro centro do palco e eu nunca estou ali, sempre estou controlando a iluminação ou fazendo algum outro tipo de serviço que é destinado pra quem não tem tanto brilho assim.

Desde pequena me sinto como se tivesse nascido no momento errado, como se eu sempre estivesse entrando em cena quando os holofotes ja se apagaram, quando a plateia ja se retirou e tudo o que resta é olhar as cadeiras e sonhar com o momento da grande estreia, que nunca chega. Meus pais sempre fazem questão de contar que quando nasci chorava demais porque tinha um problema de saude (que nunca me atento em saber o que era, e me concentro nas consequencias do meu choro), acontece que todo o meu choro e atenção que eu precisava fez com que quase meus pais se separassem, eu tornava a vida deles uma verdadeira tragedia doméstica. Então desde la venho tentando fazer tudo certo e ser sempre grande, grande de uma forma que nunca é o suficiente, que nunca me satisfaz.

Acontece que nunca sou a mais bonita, a mais inteligente, a mais gentil, nunca sou a mais em nada, sou sempre a coadjuvante que se contenta em ser engraçada pra poder distrair a atençao das pessoas e elas não perceberem toda esta incompetencia pra conseguir o que quer.

Sempre estou no lugar errado e no momento errado, um grande patinho feio que só não é desprezado porque faz as pessoas rirem, e elas gostam de rir. Mas dentro é como se eu tivesse sempre sozinha, sempre intrusa, sempre querendo mais e fracassando.

Pra mim, aos 25 eu seria incrivelmente bem sucedida, e eu entraria num banco com meu vestido florido, salto alto e um corpo perfeito, e todos os olhares viriam em minha direção. Era esta a imagem que tinha de mim aos 25 e não de alguem que sorri o tempo todo pra tentar a todo momento enganar as pessoas sobre este sucesso fantasiado.

Acontece que eu nunca sou a princesa escolhida do baile, nunca sou a estrela que recebe mais palmas no final da peça, nunca sou a filha que os pais querem companhia, nunca sou a que mais recebe olhares, nunca sou a que tiro a sorte grande. Sou sim a que esquece, que chora na balada, que fica trancada no quarto, que prefere ficar longe quando tá triste, que não consegue gritar com as pessoas, a que treme quando tem que discutir por algo, sou sempre a que posa de alguem muito mais confiante e brilhante, mas que por dentro continua sendo sempre o mesmo patinho feio que se punha de castigo no quarto quando criança e que chorava escondido no banheiro pra que ninguem soubesse que ela também se feria, afinal já havia chorado tanto quanto criança, não queria dar mais trabalho.

Então estou sempre colocando a minha felicidade nas mãos do cavaleiro que um dia chegará e me transformará na dama imponente que sempre fui, estou sempre colocando a felicidade nas mãos de algo que chegará e mudará tudo, na viagem dos sonhos, no grande convite, na oportunidade de ouro que cairá do céu... mas nunca chega, e eu continuo aqui nadando no lago tentando disfarçar a minha feiura pros outros patos, tentando ser aceita. Continuo manipulando a mesa de iluminação só pra aprender os lugares mais iluminados do palco, me preparando pra hora de brilhar, continuo nos bastidores como a criança que tinha expectativas, e enquanto não chega vou prolongando a data, vou me enganando pra tentar ser feliz 'apesar de'.



"Stupid girl, I should've known

I should've known

I'm not a princess, this ain't a fairytale

I'm not the one you'll sweep off her feet

Lead her up the stairwell

This ain't hollywood, this is a small town

I was a dreamer before you went and let me down

Now it's too late for you and your white horse
to come around"

(White Horse - Taylor Swift)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"e eu sou sempre a pessoa errada..."


"Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo" (R.R)


De uns tempos pra cá decidi sentir de verdade, me apegar de verdade, querer de verdade. Mas uma coisa que não me preocupei nunca foi em pensar de verdade antes disso tudo. Meu coração vai na frente da minha cabeça sempre, em todas as resoluções, sou pelo agir dez vez antes de pensar e não o contrário. Isso geralmente me rende algumas decepções comigo mesma e com o mundo, que bem que poderia ser mais parecido comigo.

Eu assusto mesmo, eu quero na hora mesmo, eu faço chantagem mesmo e sou terrivelmente insuportável quando me sinto rejeitada. Já cheguei até mesmo a dar tapa na cara do infeliz quando senti um leve lapso numa resposta errada. Fato este que não me orgulho e que ele relembra até hoje...

Já li vários livros que falam sobre como agir em relacionamentos, sei todas as frases e músicas e jogos, pergunte se sigo algum? Acho na verdade que alguem que gostar de mim vai ter que me aceitar assim mesmo: louca, carente, necessitada e intensa. E é por estas e mais outras razões que estou aqui escrevendo e não em algum encontro a luz de velas no restaurante mais caro da cidade.

Qualquer demonstração de afeto faz com que eu me apaixone completamente por qualquer caso e acaso, mas é amor tão grande e tão verdadeiro que só dura até o proximo caso e acaso (e geralmente nem é tão distante assim um do outro, me aproveitando de outra frase do Russo "me apaixono todo dia e é sempre a pessoa errada" mas faria algumas correções, acho que ficaria mais ou menos "me apaixono a todo momento e eu sou sempre a pessoa errada")

Se um dos meus casinhos está todo querido e fazendo questão que vá pra viagem dos sonhos junto com ele e me ajuda com as futilidades do meu trabalho, eu me apaixono. Se o outro resolveu deixar de ser a pessoa mais fofa do mundo e virar um "valeu, foi bom, adeus" então me apaixono mais, por que esta mania de querer ganhar as conquistas mais dificeis sempre foi uma habilidade minha.

Mas tem aquele que ja me apaixonei tantas vezes e de tantas formas e intensidades e conflitos possíveis que nem tenho medo, nada do que esta loba que reina dentro de mim, sendo mais instinto e afobação que qualquer outra coisa racional, fizer pode piorar o que foi feito pra nunca dar certo mesmo.

E por incrivel que pareça não é nem na calmaria do primeiro, nem no desaparecimento do segundo que me sinto mais a vontade, mais envolvida, e sim, naquele que de tanto que sei nada sei, naquele que explodo toda a minha intimidade e minhas partes feias, naquele que ja quis tanto que nem sei se era querer. Neste sim, eu posso errar e ser completamente amada ou desamada, posso ser o sim ou o não, posso ser tudo aquilo que luto tanto pra não ser. E, no entanto, sou.


"Minha meta na vida, desde que desmamei (...) é ser incondicionalmente amada. Para isso, adquiri língua afiada, olhares jocosos e pés prontos para chutar e/ou sair correndo. Resumindo: criei e alimentei tudo em mim para justamente nunca mais ser amada ou ser amada apenas incondicionalmente. O que eu sei que não existe mas continuo sofrendo por não existir." Tati Bernardi

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quem mandou você passar pelo meu caminho?


Aqui estou eu, em plena segunda-feira a noite, procurando foto de casais com um beijo tão doce e um sorriso tão aberto... Nenhum dos homens tem um sorriso tão largo e nem os olhos verdes fechadinhos como quem está "apreciando o final do beijo" (que você tanto me esclareceu). Nenhuma imagem é o suficiente pra descrever o meu sorriso quando vi você sorrindo quieto, largo e tão bonito que eu quis te abraçar e não soltar mais. Foi naquele beijo que você me conquistou!


Antes você tentou me seduzir querendo ficar a sós a todo momento... antes ainda você me viu chegando e me abraçou tão forte e falou comigo com sua boca tão encostada no meu ouvido e suas mãos segurando tão forte minha cintura que eu fiquei toda boba falando qualquer coisa que me vinha a cabeça, acho mesmo que nenhum de nós estava prestando atenção no que era dito.


Mas não foi neste momento que me conquistou... foi no beijo de sorriso largo e olhos verdes fechadinhos.


Depois você ia comigo a todo lugar da balada e não me soltava de jeito nenhum, e se preocupava quando ia ao banheiro, temia que eu fosse te abandonar. Eu? Eu ja estava conquistada pelo teu beijo de sorriso largo e olhos verdes fechadinhos.


Antes de você me conquistar eu tive que te explicar toda a confusão que foi entre eu, você e seu primo, e a confusão que o destino fez que no final desse tão certo o que tinha começado tão errado, com tantos erros meus e acertos teus, por que você sempre sorri tão bonito que não tem como estar errado.


Antes ainda disso, você quis me levar junto pra pegar bebida, como você disse "pretexto pra ficarmos sozinhos" e segurava na minha mão tão forte e me olhava tão bonito que minha perna tremia, e eu ali resistindo apenas comentava o quanto você era mágico em conseguir me colocar do teu lado no bar, enfrentar a multidão de pessoas, cuidar pra que ninguem me machucasse, estender a mão com o cartão pra pedir a bebida e ainda segurar a minha mão com a mão que restava, tudo ao mesmo tempo, e ainda ser engraçado, e doce e roubador de beijo e dizer que tuas pernas "bambearam". Mágico. Mas não foi ainda neste momento que me deixou encantada, eu queria mais, queria um beijo de sorriso largo e olhos verdes fechadinhos.


E você sorriu pro meu ex, mesmo entendendo tudo, e me abraçou dizendo que estava defendendo território, como se você precisasse defender alguma coisa, eu era toda tua. E brincou, e conversou, e me levou embora pra casa, e não parava de me beijar, e me falou sobre sua carreira, quis saber sobre a minha, e queria sempre que eu andasse na frente pra ir me abraçando enquanto andavamos mesmo com tanta complicação, e brincamos de bexiga, e de qualquer coisa que aparecia na frente, com qualquer pessoa que aparecesse na frente, por que você tem um sorriso tão bonito, largo e sincero que qualquer pessoa se sente confortável o suficiente pra virar teu amigo em cinco segundos.


Você pode conquistar qualquer coisa, qualquer pessoa, e conquistou, conquistou a mim com teu beijo de sorriso largo e olhos verdes fechadinhos. A partir deste beijo, eu não parei um minuto de sorrir. Tava tudo certo!

"Sei, eu sei que vejo mais do que eu deveria

Mas é que eu sou mesmo assim

Sinto, eu sinto tanto a sua falta todo dia

Volta e traz você pra mim

Quem mandou você passar pelo meu caminho?

Quantas vezes eu vou ter que repetir

Quantas vezes ?


Você me faz bem

Quando chega perto

Com esse seu sorriso aberto

Muda o meu olhar

Meu jeito de falar

Junto de você fica tudo bem

Fica tudo certo"

(Tudo certo - Luiza Possi)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Encantada!


E o melhor chegou... tão rapido, tão perfeito, tão doce, e tão tudo... tão grande que eu nem sei se meu braço consegue abraçar tudo.
Fico ali estática, olhando desacreditada, e eu sorrio do nada...sozinha, completamente autista e você me pergunta "O que aconteceu?" e eu "nada"... nada? aconteceu tudo... aconteceu o que havia de mais perfeito: você me fez ver o mundo inteiro que existe dentro do teu sorriso de menino, me fez ver que os cinco anos chorando por um homem que não tinha nada pra me dar foi a pior besteira da minha vida, me fez perguntar onde estava você este tempo todo que me contentei com tão pouco...com tão nada. Você é o tudo... o tudo e mais um pouco.

Pra falar a verdade eu nem sei escrever sobre você, meu coração fica apertado e eu sorrio de lembrar de cada sorriso, cada brincadeira, cada beijo, cada atitude sua de menino esperto, rapido, doce e apreciador de beijos. Você não sabe o quão encantador você é.

Você me deixou encantada, boba, e querendo mais. Eu quero mais e meu coração fica tão pequenininho de pensar que talvez não exista o depois, afinal, como a perfeição pode me encontrar e me deixar ir embora. Fique um pouco mais, só pra eu me sentir merecedora de todo este tudo.

Alí estava eu diante do tal "grande amor da minha vida" dizendo não enquanto você aparecia e me deixava sem ar com seu abraço, ele percebeu, é claro que percebeu e morreu de ciumes, era a primeira vez que ele me via assim totalmente sem defesa perto de outro alguem, completamente encantada e feliz. Feliz e feliz.

Agora fico aqui olhando meu celular quatrocentas vezes por dia, esperando teu chamado como uma menina de 15 anos com teu primeiro amor, que nem é primeiro e nem ainda é amor, mas é especial, grande, feliz, doce e esperançoso. Esperança de começar de novo, de ficar sem ar com alguma razão boa, de querer ainda, de acreditar que pode dar certo e querer... te querer!

Você me fez olhar tudo com outros olhos, me fez sorrir quieta, sincera e feliz.


Obrigada!


"I came a part inside a world

Made of angry peopleI found a boy

Who had a dream of making everyone smile

He was sunshine

I fell over

How am I supposed to tell you how I feel?

I need oxygen

And so I found a state of mind

Where I could be speechless

I had to try for a while
To figure out this feeling

This felt so right

Pull me upside

Down to a place where you've been waitingand

How am I supposed to tell you how I feel?

I need oxygen"


(Colbie)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Em direção ao melhor.


Não.

Eu não deveria me preocupar, não podia ser gentil, nem amável, nem necessária. Não era prudente perguntar sobre sua vida, seus costumes, seu passado, seus traumas, nada disso fazia parte da minha função ali. Olhar demais era motivo de desconfiança, afinal, olho no olho o constrangia, e não tinha necessidade, o silencio também corrói e é desnecessário, logo eu que adoro um bom silêncio com olhar. Elogios eram estranhos e pertubava até, de certa forma, "lindo é coisa pra gay", "querido é coisa de vó", "amor é coisa de mãe e pai"...

Tudo era festa, sorrisos, brincadeiras, alto, breve, instantâneo... forte, fácil, dispensável e choro.


Não.

Tudo que ultrapassava a barreira feita de cimento, ferro e egoísmo era automaticamente contestado e proíbido.

Sendo assim fui me moldando ao que era correto pros instantes, já que eram tão poucos. E quando vi eu era a pessoa perfeita, aquela que ele jamais se apaixonaria. Consequentemente me transformei em alguém que conseguia facilmente bloquear o amor, o de si mesma primeiramente e depois os dos outros. Sabe como é, costumo ser boa aprendiz e fui.

Você me soltou, eu caí, e comecei a aprender a voar sozinha. Mas a maneira de voar aprendi contigo. A aerodinamica de meu vôo foi desenvolvida totalmente por você. Só que você era pássaro que voa sozinho, o mais alto possível que é para olhar pra baixo e não ver as belezas do mundo, pra não se aventurar a descer. Sendo assim, tive que desaprender suas lições, pra depois aprender sozinha.


Eu NÃO.

Sou pássaro que gosta de voar baixo, observando de tudo um pouco, reparando os olhares e sendo convidada a voar por outros cantos, por outros encantos. Sou de olhar nos olhos, sou de fazer elogios, sou de silencio, música e dança... sou alguém que você nunca pôde conhecer, mas que você não entenderia, você teria medo. Você sempre teve medo até mesmo sem conhecer.

Sou gente que gostar de cuidar, que tem bom coração e muita paciência. Sou gente que sabe a hora de voar e de pousar (ou que pelo menos está em fase de aprendizagem, afinal, algumas lições demoram mais para serem aprendidas), sou dedicada.


Você NÃO

Você foi pássaro que passou voando lá bem longe. Inalcansavel. Indiferente. Nem sei dizer se pode se chamar de pássaro aquele que nunca pousa.


Hoje descobri que você sempre esteve voando, principalmente quando eu caí. Eu caí, mas aprendi que cair, as vezes, é a unica saída pra aprender o melhor dos vôos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Em paz com o mundo... e comigo!


Ninguém errou. Eu errei. Sempre achei que as pessoas tinham que viver de acordo com as minhas filosofias, com minha maneira, com toda a minha perfeição e certeza e clareza e tudo que de verdade talvez nem é verdade, e sendo assim, ficava irritada com a maneira errada, com as pessoas que me decepcionavam pelo simples fato de não seguirem o roteiro que eu havia programado.


Hoje percebi que não da pra voar sozinha, não dá pra ter toda esta pose de vôo solitário e ambicioso rumo a um sucesso que antes eu nem sabia qual era. Não dá. Antes de qualquer vôo precisa-se deixar pra tras tudo que te pesa, todos os não's (e os sim's), todas as mentiras (e verdades), ressentimentos, mesquinhez, tudo tudo. Para se voar precisa fazer com que as pessoas que antes impediam teu vôo (pelo peso que você mesma colocou) queiram estar do teu lado, ou melhor ainda, estejam felizes em até assoprar um pouquinho para você ir mais longe. Precisa amar quem te magôou, pelo simples fato que ninguem é perfeito, nem você mesma.


O rei Midas desejou um dia que tudo que ele tocasse virasse ouro, e assim foi atendido. Porém o que ele não contava é que sua comida viraria ouro, tua agua, teu banho, tudo tudo, era impossível viver com tanta ganancia, com tanta vontade de ser o melhor, com tanta cobrança pela sua própria perfeição, e depois disso ele percebeu a beleza das coisas simples, do amor... que isso era sem dúvida mais importante que o ouro.


Estamos tão acostumados a querer o melhor, em ficar nesta luta por querer sempre mais, ser sempre mais, ser perfeitos e querer que tudo ao nosso redor seja perfeito, que as vezes não percebemos as coisas boas da vida, não aprendemos a perdoar a imperfeição alheia, e muito menos reconhecer a nossa própria imperfeição, nossa mesquinhez.


Cansei de toda minha mesquinhez, nem tudo que eu toco precisa virar ouro, as vezes vou errar, as vezes vou ser injusta, e quero consertar tudo, quero aprender com tudo, quero saber escutar e amar, amar, amar... só porque eu posso amar.


Antigamente, quando alguem queria comer milho, havia de plantar, semear, tirar as ervas daninhas e esperar muito tempo até que ele estivesse pronto. Hoje o milho esta nas prateleiras do supermercado, está tudo pronto. Mas ainda não existe nas prateleiras amor enlatado, amizade verdadeira enlatada, carinho enlatado... por isso não sabemos lidar com tudo isso, pois queremos, mas não temos paciencia de cultivar nada disso, temos pressa demais pra tudo. Não quero mais ter pressa.


Hoje aprendi a lição: sentido de vida, silêncio, simplicidade e sentimento. Meus 4 S's que me seguirão durante o ano, e um ano é muito pouco para aprender tudo de uma vida inteira, mas aos poucos, caindo e levantando, errando e consertando, vou aprender, vou perdoar, amar e daí sim voar.


Se tudo o que preciso é recomeçar a ser quem na verdade eu sou, então é este caminho que vou seguir, tudo o que tenho sou eu mesma e o carinho de quem eu conquistar. Não se pode ter tudo, mas se pode amar tudo o que tem.




"As pessoas esquecerão o que você disse... as pessoas esquecerão o que você fez... Mas elas nunca esquecerão ... Como você as fez sentir ..."




(post escrito depois de chorar com o livro "O sucesso é ser feliz" , aconselho! Super auto-ajuda, mas quem neste mundo maluco não está precisando de um pouco de ajuda, não é verdade?)






segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Vai ver que a confusão fui eu quem fiz, fui eu!"


Quando eu era criança minha mãe sempre dizia que muito riso acabava em choro. E eu ria muito, ria até dar dor de barriga, sempre, e depois chorava...eu sempre chorava. E lembrava do conselho e não entendia. Eu nunca entendi. Hoje eu entendo, que quando a gente ri muito, quando chega no extremo da felicidade, não se tem mais o que acontecer, dai vem a depressão do riso, a tristeza por não conseguir superar aquela felicidade aguda, é como se fosse uma ressaca.

Agora pouca coisa mudou, minhas ressacas de riso continuam as mesmas, mas meu riso antigamente era bem mais sincero. É como se agora eu tivesse ressaca de um riso que não é meu, o riso é daquela que tenta ser melhor, mais engraçada e menos envolvida, mas nunca sou eu. O riso, então, é resultado da alegria de alguém que não sou eu. O choro não. O choro é meu, e toda a dor de meu riso não ser meu só extrapola a ressaca.

O mar tava de ressaca, e eu o entendia. Foram dias de sol e de repente veio a chuva pela qual ele não esperava. O mar estava chorando. Foi então que eu vi que comecei a entender um pouco do mar e um pouco de mim, e também chorei. Porque é tão dificil ter que começar a ser sincera, que talvez nem eu consiga, dói!

Então eu coloco um sorriso no rosto, uma piada na ponta da lingua e poso pras fotos no melhor estilo "tá tudo perfeito". Mas não tá, porque eu continuo voltando pra casa quieta e dormindo quieta, e querendo me afundar em todo este silencio de fora pra não perceber a inquietação que é por dentro, que é não se perceber dentro de si mesma.

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"Eu vou porque é preciso ter histórias, viver coisas, sair de casa, mas nunca vou realmente. Sempre me sinto ocupando de favor o lugar da personagem real que está doente ou enlouqueceu. Assim que coloco o pé pra fora, viro uma substituta de qualquer um que sabe viver. Uma coadjuvante de mim que rouba a cena porque os engracados sempre roubam" Tati Bernardi