segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Vai ver que a confusão fui eu quem fiz, fui eu!"


Quando eu era criança minha mãe sempre dizia que muito riso acabava em choro. E eu ria muito, ria até dar dor de barriga, sempre, e depois chorava...eu sempre chorava. E lembrava do conselho e não entendia. Eu nunca entendi. Hoje eu entendo, que quando a gente ri muito, quando chega no extremo da felicidade, não se tem mais o que acontecer, dai vem a depressão do riso, a tristeza por não conseguir superar aquela felicidade aguda, é como se fosse uma ressaca.

Agora pouca coisa mudou, minhas ressacas de riso continuam as mesmas, mas meu riso antigamente era bem mais sincero. É como se agora eu tivesse ressaca de um riso que não é meu, o riso é daquela que tenta ser melhor, mais engraçada e menos envolvida, mas nunca sou eu. O riso, então, é resultado da alegria de alguém que não sou eu. O choro não. O choro é meu, e toda a dor de meu riso não ser meu só extrapola a ressaca.

O mar tava de ressaca, e eu o entendia. Foram dias de sol e de repente veio a chuva pela qual ele não esperava. O mar estava chorando. Foi então que eu vi que comecei a entender um pouco do mar e um pouco de mim, e também chorei. Porque é tão dificil ter que começar a ser sincera, que talvez nem eu consiga, dói!

Então eu coloco um sorriso no rosto, uma piada na ponta da lingua e poso pras fotos no melhor estilo "tá tudo perfeito". Mas não tá, porque eu continuo voltando pra casa quieta e dormindo quieta, e querendo me afundar em todo este silencio de fora pra não perceber a inquietação que é por dentro, que é não se perceber dentro de si mesma.

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"Eu vou porque é preciso ter histórias, viver coisas, sair de casa, mas nunca vou realmente. Sempre me sinto ocupando de favor o lugar da personagem real que está doente ou enlouqueceu. Assim que coloco o pé pra fora, viro uma substituta de qualquer um que sabe viver. Uma coadjuvante de mim que rouba a cena porque os engracados sempre roubam" Tati Bernardi

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