quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

D E S A C R E D I T A D A



"Linda, louca, leve e solta. Prontinha pra escolher, alguém na madrugada só pra substituir você"


Continuo voando. Vejo tudo lá de cima, como quem diz "ah ja vi este filme antes", nada me surpreende muito.

DESACREDITADA: esta é a palavra do momento no meu vocábulário. Como explicar? Bem, é mais ou menos assim.. sabe quando alguem te diz palavras bonitas do outro lado da linha e termina com um "eu te amo" e você pára, sorri, gargalha e diz "opa, quase me pegou hein" e desliga. Isso está sendo meus dias, aprendi a desacreditar no amor das pessoas, no carinho delas, nelas mesmas e até em mim.

Logo após tantos anos platonicamente apaixonada por uma pessoa, eu descobri que ele não era quem eu pensava, que o amor dele era fragil e que o meu amor nem era amor. O pior é isto, é ver que nem você mesma conseguiu se dar ao luxo de amar alguem na vida, como querer agora achar que o amor existe? eu não sei.

Quer me fazer um almoço especial pra alegrar o meu dia? Tá, a gente marca. Quer me emprestar sua casa de praia pra passar o meu reveillon? Ok, se precisar eu vou. Quer me ver no natal pra me dar um abraço? Vou ver na minha agenda. Quer me namorar no futuro? Poxa, até lá tanta coisa pode acontecer não é?... e assim eu vou, aceitando os presentes e deixando de ladinho, com sorriso no rosto, paz no coração e meu pezinho bem atrás.

Aprendi a desacreditar e hoje desacredito. Acho bonito e até me alegro, as vezes até consigo voar um pouco junto, mas meu vôo sempre se mantem independente, cada um voando do seu lado e do seu jeito. Não me atrapalhe.

E vejo meus "amores" passados, converso e vejo o quanto foi em outra vida, o quanto nada daquilo tem mais sentido na minha vida, foi, passou, acabou. E quanto mais percebo como foram estes amores, quanto mais lembro, menos tenho vontade de ter tudo isso novamente, de começar a subir a montanha que acaba num precipicio e cair, eu sempre caio, porque todos eles sempre me empurram.

Desta vez não, se alguém tiver que cair do precipicio eu quero ser o alguém que estará empurrando. Mesmo porque, durante todo este tempo, fiz das minhas lagrimas, penas para construir minha asa, ninguém agora pode me ver caindo dos relacionamentos, agora eu tenho asas pra voar bem longe de qualquer pessoa que tente me fazer sofrer. Sabe como é, desacreditei.



"Portanto, agora, quando eles sorriem pra mim, sentados de frente, quietos, eu apenas pergunto, já me tirando do lugar de ser gostada: e o que você tem pra mim, afinal? E eu sei futuramente que a resposta é avassaladora, passa por coisas alheias do tipo “nada” e por coisas lindas do tipo “e nada é a boa resposta, garota”." Tati Bernardi

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

euodeiocasamentos.com.br


Eu acho que odeio casamentos!

Eu odeio chorar quando vejo a noiva entrar, odeio as músicas bregas, odeio chorar no juramento, a decoração brega, o buffet disputadissimo, o chorar vendo eles tirando fotos, as crianças, o ficar horas se arrumando e só ter gente brega, as velhas gordas, odeio quase tudo.

Foi então que o padre disse "agora, eu quero que cada pessoa, dentro do seu silêncio, apenas com teu coração, faça um desejo para os noivos, o desejo mais importante", e tudo o que eu consegui pensar foi "que ele não seja filho da puta com ela" e ri, ri sozinha do meu próprio pedido completamente pessimista, mas juro que foi de coração.

Uma moça de uns trinta e poucos anos se aproxima e dá um susto na moça da minha frente. A primeira solteira com cara de "este é meu 27º casamento sozinha" e a segunda acompanhada de seu marido. A solteira resolve fazer companhia para o casal que parece estar muito bem, a solteira comenta tudo da festa, como quem ja conhece tantos outros casamentos, só não sabe como arrumar um. Por um momento quase pensei em puxar assunto de comadre.

A daminha de honra entra e eu lembro que nunca nem daminha fui. Poxa, podiam ter pensado nisso quando eu era criança e minha unica diversão era chutar a canela dos meninos, deviam ter pensado "esta aí nunca vai casar, vamos deixar ela brincar pelo menos disso e convidá-la para ser daminha" ou então nunca tenham me chamado exatamente de medo que eu chutasse a canela do noivinho, o que provavelmente aconteceria.

Logo me vejo planejando meu casamento, pensando "ah isso eu não faria" "não, no meu casamento vai ser de tal jeito" "oba, tem lirio, no meu casamento vai ter lírio"... casamento o que? acorda menina que nem amor permite ter no peito, que não se sujeita e não acredita em nada disso. De repente me veio novamente a revista, o psicologo, a amiga, o terapeuta, a mãe, a vida, o quase tudo falando que não fui feita pra isso. Então é que penso "acho que os pobres e feios casam primeiro, porque eles não conseguem avaliar quanta coisa boa tem no mundo", mas era só um pensamento feio pra eu me sentir superior a tudo aquilo. Estava cansada de me emocionar com toda aquela coisa bonita que faz o noivo chorar e a noiva limpar carinhosamente a lágrima dele enquanto se olham um no olho do outro. Respiro fundo e engulo o choro. Amanhã tudo isso já acabou, procuro pensar.

Então que veio a festa, eu alí sentada praticamente sozinha esperando os noivos chegarem, me olho feia e sem vontade e penso "mulher sem amor é como flor sem sol, murcha". Daí vem um menino que eu paquerava quando mais nova, todo feliz querendo cumprimentar a mim e a minha mãe que nem o conhecia. E eu digo feliz "oi .... André" , o nome saiu mas apesar do meu olho meio fechadinho com cara de "to tentando lembrar", inutil, não lembrei de onde mesmo conhecia aquele moço, mas lembrava que era André e que era bem bonito antes da calvície. Olhei, sorri, e virei pro outro lado, exercitando todo o meu potencial de pessoa que nem quer se aventurar a nada, quanto mais a alguem que um dia foi bonito.

Hora de pegar o bouquet, tantas solteiras ocupavam aquele espaço e eu nem tinha percebido. A preguiça é tanta que não me permite levantar para sequer tentar a sorte. A moça solteira dos trinta e poucos anos teve coragem e se levantou para tentar não ficar pra titia, e como tantas outras voltou sem nenhuma florzinha. Eu queria dizer pra ela que pessoas como nós temos temos concessão para ter preguiça em ter esperança. Eu tenho!

Pra dizer a verdade foi um casamento bem bonito. Na verdade é apenas toda esta preguiça que anda me assombrando e faz com que eu veja as coisas de uma maneira bem mais pessimista. Mas passa, eu sei que passa.

Bem, pra ser sincera não sei, mas há algo entre a minha preguiça e esta dor no peito com vontade de chorar, que diz pra eu ter esperança!




quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Meu castelinho.



Construí meu castelinho de areia tantas e tantas vezes...

Lembro-me do mais alto, onde lá em cima, na torre mágica, repousava meu principe, que era bonito, inteligente, bem sucedido e meu futuro esposo, tudo era sempre só amor. Pela distancia do chão até a torre era que nosso romance as vezes se desestabilizava, mas era só porque ele me amava muito. Ele era o príncipe que amava sua donzela, que era eu. Castelo de areia com a torre mais alta...

Tiveram outros principes que foram por tempo reduzido, mas com intensidade tão grande quanto esse.

Meu primeiro principe e primeiro castelo foi pelo menino da casa da frente, mesma idade, mesma escolinha, e todo nosso futuro estava interligado. E eu falava dele como se falasse de um esposo mesmo, era meu primeiro namorado. O mais inocente dos castelos... Castelo de areia feito a dois...

O segundo nem imaginava, era o mais bonito do colégio, loiro e de olhos azuis, e eu era como uma plebéia com o cabelo imenso de volume e a primeira da fila. Há um tempo atras implorava pra ficar comigo, e eu cheguei até em pensar em construir meus castelo de novo...

O terceiro era o da primeira comunhão. Eu era a menina boazinha, filha da catequista. Ele era o filho da outra catequista, mas era o rebelde. Ele era o que fumava e raspou o cabelo do dia pra noite. Mas eu podia faze-lo mudar, eu era muito inteligente pra minha idade, eu conseguia perceber que ele, se me amasse, como eu achava que amava, ele mudaria. Era o meu castelo de princesa, que também sabe rezar.

Os outros, foram tantos outros...., que eu nem sei... cada um era de um jeito, um formato, um tamanho, mas todos eles, além de agua e areia, tinham meus sorrisos, minha vontade de ficar cada dia mais bonita, minha disposição, meus sonhos e meu futuro. Havia alí uma vontade enorme de acertar e os olhos muito bem fechados pra verdade.

Foi então que eu percebi que só se pode construir castelos de areia em duas situações: quando se é criança, e por conseguinte inocente demais para acreditar que vem a onda e o distrói, ou quando se é adulto, e apesar de saber da ressaca do mar permite-se sujeitar. Ao contrário da inocencia do primeiro, vem a coragem do segundo. Há que se ter muita coragem para descobrir que nossos castelos podem ser desabados e mesmo assim construi-los.

O primeiro virou cantor de rock e nada nele combina comigo; o segundo é o tipico homem que foi bonito na adolescencia, não é mais, mas continua agindo como se fosse; o terceiro teve um filho aos 15 e nunca foi apaixonado por mim, nem sabia que eu era por ele; o principe da torre la no alto nunca passou do cavaleiro que queria trepar com a donzela, o que tinha namorada mas me amava casou; o que não tinha também casou, separou, e ainda acha que eu posso ser a esposa perfeita, só que agora sou eu quem não acho; aquele que só estava esperando ficar rico pra fazer de mim sua esposa, continua gastando teu pouco dinheiro no bar, cheio de gostosas, com os amigos, e etc, etc, etc.

Meu coração salta na boca cada vez que me encanto com alguem e eu ja começo a me interessar mais por modelos de vestido de noiva, já imagino quais seriam as palavras que eu iria falar, até ler uma revista que me diz "não", e um psicologo que me diz "não", e uma amiga que me diz "não", e minha mãe, e o moço da tv, e o livro, o blog, a vida, e até o cachorro que late mais forte pro pretendente... é tudo no mundo me dizendo "não, abra o olho menininha, você não pode se dar ao luxo de amar, isso é coisa pra gente ignorante, não se engane".

E as vezes tudo o que eu queria era me enganar, era ser leve, boba e enganada. Não é assim que viveram todas as pessoas que colocaram um vestido de noiva e subiram as escadas do altar com um sorriso no rosto?

Posso querer ter um sorriso no rosto?



"É uma pena, justo agora que meu castelinho tava quase pronto, veio a onda. Moço, me passa a pá e o baldinho? Vou, mais uma vez, construir meu castelinho"




domingo, 13 de dezembro de 2009

Preguiça de todo este nada!



"Saber um pouco de política só pra não fazer feio em jantares e ir a jantares só pra não fazer feio com amigos e ter amigos só pra não fazer feio com a vida. Mas no fundo, uma vontade imensa de não fazer porra nenhuma dessas. Mas vai, dura tão pouco e quando acabar, não gosto nem de imaginar a saudade que vou ter de mim. Porque no fundo, no fundo, isso que pode soar como tristeza é só uma constatação corajosa de que dói sentir tudo e inclusive (ou principalmente) a nós mesmos." Tati Bernardi


O problema é a preguiça. Preguiça de se apaixonar,de tentar, de errar, de fechar os olhos e se convencer que deixar rolar é a melhor coisa. Convenhamos, sempre dá errado. Tenho em mim uma carência que me cobre inteira (me cobre e me enterra), uma vontade de me doar, de amar grande, de ser amada completamente. Mas a carência é tão grande, o amar grande é tão grande, é tudo tão extremo, que minha carencia vira preguiça, porque ninguém é capaz de ser tão tão assim.


E dai eu converso com os casos antigos só pra ter a sensação de que já fui amada, e eu saio pra ter a sensação que ainda posso ser, e eu volto pra casa com a sensação de que nunca fui. Pois veja bem, ninguem é capaz de amar tão tão assim, então é falso. Só acredito nos amores mais ou menos, naqueles que me deixam com a sensação de que nem amor existe, dai eu acredito, porque acredito que as pessoas podem amar só o quase nada, afinal, o amor próprio é tão maior.


Tenho também a pressa. A pressa me atrapalha porque costumo ver as coisas antes que elas aconteçam. Não consigo me contentar com aquilo que me apresentam, preciso sempre ver além, saber antes, calcular o incalculável (ja que nem existe matemática suficiente pra isso). E quero os resultados, a perfeição, e quero já. Daí atrapalho tudo, meu coração solta na boca e eu quero já. Meu coração se cansa e eu não quero mais. E vivo neste misto em querer imediatamente e não querer nunca mais, como uma criança boba que ama seus brinquedos cada qual um dia.


E eu me canso, me canso porque não posso ter tudo e não me contento com o pouco que todo mundo parece dar. Ao mesmo tempo, não consigo dar pouco, e muitas vezes, nem muito.


Então lembro de você e vem um filme em minha cabeça de todas as vezes que você de alguma forma me rejeitou, naquele lugar onde tanta gente rejeita tanta gente, ao mesmo tempo que tanta gente chora por tentar amar o qualquer um. Alí estava eu, em minhas lembranças, chorando tentando amar o qualquer um, que era você. E pra minha surpresa, não tenho raiva e nem rancor, mas volta-me a preguiça de pensar que pode ter tantos outros "qualquer um" por ai. Me vem a carência, porque carencia também pode ser esta vontade de amar o "qualquer um" já que é tudo igual mesmo. O mais ou menos parece-me a solução, porque eu era mesmo tão feliz dando o máximo e recebendo o mínimo, sentia que amava, ja você não teve a mesma sorte.


E eu me confundo, me canso, me deixo e nem sinto.... porque sentir pode mesmo ser tão perigoso, e eu aprendi a ter medo, então nem quero. O "não querer" aqui não é um sentimento esnobe de que nada é bom o suficiente pra mim, mas sim um perceber que eu não sou capaz de tudo isso, de novo não!


"A maquiagem tinha custado cara demais para eu ir dormir antes de borrá-la." Tati Bernardi

domingo, 22 de novembro de 2009

A culpa é de quem?



"Eu esperava alguém que pudesse só me abraçar por um tempo maior que esses socorros rápidos que arrumo quando grito mais alto" Tati Bernardi


A culpa é SUA.


É... você... você mesmo que está em algum lugar do mundo neste exato momento e nem sabe que eu existo e que eu também não sei e a gente continua vivendo como se fosse muito feliz um sem o outro, mas isso não é possivel.


Não acredito que exista mesmo uma metade da laranja, uma alma gemea e todos estes papos romanticos... mas acredito que vai ter alguem que eu vou olhar e vou saber, que vou gostar "apesar de", que meu coração vai palpitar cada vez que eu pensar e que vou fechar os olhos sorrindo quando for dormir.


O mundo está cheio de gente assim, eu também sei, mas é tanta carência com tanta gente que ama só pra dizer que é amado que eu ja nem sei se existe tanta gente que sente isso mesmo.


Só quero alguém que me abrace e este abraço me deixe a vontade e em paz. É pedir muito?


Não quero ser destas pessoas que a gente sabe que tudo dentro de si é nada, mas liga no meio de uma quarta-feira pra outra pessoa só pra ter a sensação que este nada pode ser preenchido de algo quando você quiser. Não quero ser esta pessoa com o nada.


Só me diga onde encontrar aquelas pessoas que viram seu amigo, e você gosta tanto da companhia, quer tanto bem, se sente tão a vontade e de repente percebe que não pode viver sem? Ficaram guardadas na sessão da tarde, eu sei.


Enfim, quando você ler isso, você saberá que eu estava procurando por você durante todo este tempo,e que você me deixou esperando por tantos anos, tantos anos que neste momento devo estar com alguem do meu lado que eu nunca amei mas gosto de como ele preenche o meu nada.


Lembre-se que eu te avisei, avisei que nós dois, estas pessoas que eram pra ser tão especiais e completas, viraram um quase igual a todo mundo, assumiram sua carencia e sua impossibilidade de viver esperando algo que nunca vai chegar mesmo.



Ps. não é nada não, é que hoje eu estou vazia. E quer saber, nem é culpa tua, é minha! Eu e esta mania idiota de querer ser mais do que sou, de querer amar bonito e nem percebo que amar já seria o suficiente. Mas se eu percebo isso então a culpa passa a não ser mais minha. A culpa é de toda esta gente no meio do caminho entre eu e você que nos impede o encontro. O encontro entre eu e você. Você que nem existe.



"Mulher sem amor, é como flor sem sol, elas murcham"
FD Amelie Poulain!


sábado, 14 de novembro de 2009

Me deixem ser velha


Sábado, 00:45.

Ficar sentada em frente ao computador enquanto escuto Vanessa da Mata em ritmo de forró com voz de alguma "pseudocantoraloiramalvestidarebolando" não era exatamente o que eu pensava pro meu sábado a noite, acontece que minha vizinha resolveu fazer sua festa de aniversario para comemorar seus 40 anos de péssimo gosto musical e total falta de respeito pelos moradores do bairro, pra minha infelicidade. Cada 2 segundos de silêncio, quando a musica troca de faixa, todos os meus neuronios agradecem ao rápido alívio mas rapidamente a música volta e todos eles gritam e pedem desesperadamente para que eu dê um tiro na minha cabeça para aliviar toda esta angustia que é por quase todo o mundo ter tanto mal gosto.
Minha amiga me liga convidando-me para um balada e eu automaticamente penso na unha que não fiz porque preferi dormir a tarde inteira, no cabelo não escovado porque no calor isso vira algo próximo da tortura e em toda esta minha vontade de ficar quietinha no meu canto pra pensar, respirar ou simplesmente não fazer nada. O ambiente de uma balada parecia-me não condizer com nada disto, todo aquele som que invade seus timpanos e deixa surdo tudo que encontra, os meninos "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro" puxando teu cabelo porque acham que nos deixam excitadas, e as meninas que rebolam tentando seduzir estes meninos, e a fila pra ir no banheiro, e a fila pra pagar, e gastar um pouco mais pra ter um espaço de 1m² pra tentar respirar, e a produção que vira nada nos primeiros minutos la dentro porque as meninas que estavam rebolando tentando seduzir o menino resolvem ter ciumes e se vingar jogando bebida no teu cabelo e pisando no teu pé (com um sapato que você pagou o olho da cara), e a vodka que bebo pra tentar esquecer tudo aquilo e que faz com que eu acabe beijando o menino "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro"só porque vou esquecer mesmo. Não. Hoje não, apesar da companhia ser ótima, NÃO, hoje só quero silêncio.

Penso numa solução aos meus problemas, vou a frente de casa, atravesso a legião de meninos de boné que estão felizes porque na festa tem cerveja e eles nem tem que pagar por ela, procuro uma menina simpática e peço encarecidamente que ela mande a dona da casa abaixar o volume da música. Ela entende e concorda, mas me olha como quem pergunta qual seria a minha idade, pergunto-me também.

O som abaixa um pouco e eu sinto-me a vontade para sentar e escrever sobre todo este nada. O problema é que escrevendo percebo que hoje acordei com 25 anos e neste exato momento tenho 43 e no mínimo 5 gatos que suprem minha carência que começou desta preguiça imensa de me divertir nestes lugares onde tem tanta gente se divertindo com tanta coisa que não me basta.

"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho." Tati Bernardi

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A semana, a morte, a fome... a busca pelo novo!


"Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.De tanto treinar acostumei.
E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos (...)
E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.Eu não queria ter ido tão longe. Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos (...)
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não."

Peço desculpas à Tati Bernardi, pois além de sempre citá-la em meus textos, desta vez passei dos limites, coloco um texto quase na integra e ainda tenho a audácia de tirar apenas as partes que não condizem com meu momento, o que são poucas, porque cada vez mais descubro que mulher é quase sempre muito parecida mesmo.

Quando alguem é capaz de falar de você mesma com mais categoria, tudo o que nos resta é copiar e citar a fonte. De resto qualquer coisa que diga aqui será uma grande redundancia.

Contudo, como tudo na minha vida sempre foi redundante, inclusive o fato de dizer milhões de vezes que desta vez é pra sempre, que acabou, que você morreu... creio que possa repetir o que a supra citada autora disse. Creio que possa falar com minhas palavras.

Quero que fique registrado: hoje, lendo o texto acima, lembrei-me que faz uma semana. Eu sei, uma semana não quer dizer nada, nem é razão de comemoração, mas uma semana sem pensar em ti, antes, era como uma semana sem comer e sentindo uma fome de deserto. Agora não, a fome, pra dizer bem a verdade, ainda continua aqui, mas é como se você tivesse sido o prato predileto que eu enjoei de tanto comer. A fome continua a mesma, mas pede por outro prato.

Falando assim parece bem grosseiro e até mesmo petulante, desculpe-me unica leitora, mas foi a forma menos poetica que encontrei, até mesmo porque ando com um pouco de preguiça de fazer poesia, deve ser por causa da fome que ainda não descobriu nenhum desejo de consumo.

Engraçado ter fome, não saber de que e ainda assim levar a vida sem se preocupar com o fato... deve ser o peso que tirei das costas quando percebi que meu amor por você era pesado demais pro meu corpo leve... ou ainda pode ser o ar que passa mais livremente pela minha garganta agora que deixei de ficar sufocada pelas suas falsas expectativas... ou talvez seja simplesmente a certeza de que comida nunca faltará e dentro em pouco identifico o objeto da fome.
Quando acontecer, sera fome que devora, sentimento que explode, agua calma que completa sem nunca transbordar. O amor não era sempre pra ser assim? Então espero o homem que nunca tive, aquele de verdade, que saiba me dar um amor de verdade!

sábado, 7 de novembro de 2009

Eu jamais serei a mesma!

"Não pensa mais nada
No final dá tudo certo
De algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
e ninguem aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma"


(Zelia Duncan - Eu me acerto)


Desculpe, mas a verdade é que eu sempre te amei apenas até a próxima cólica, e era antes dela que cobrava-te amor também. Pra dizer a verdade, eu deixo sempre de te amar no momento que temo que ela não se apresente. Isso não é amor? Provavelmente não. Justifico-me dizendo que este nada é o máximo que cheguei perto de amar, então o chamo de amor, apenas por falta de referência.

Aproveitando que acordei sincera, creio que deva confessar que nem gostaria de escrever sobre você, gostaria de escrever do presente, mas meu presente é um monte de obrigações de moça adulta mesclado com vida adolescente de amiga dormindo em casa e fofocando. O que me parece ser muito melhor do que discutir a combinação de branco e preto nos bancos do seu balcão. Mas se quero falar de mudança, de não me reconhecer dentro desta pessoa que não te ama, tenho que falar do passado, tenho que ressuscitar o passado de amor inventado, tenho que comparar com o futuro (que é aquele que nem imagino e nem quero imaginar) e daí sim, me deparar com este agora, com a transição.

O futuro que eu sei neste momento é apenas uma prévia do meu amanhã e neste amanhã tudo que eu sei é que vou acordar e vou viver por mim (egoistamente por mim), sem programar e sem esperar qualquer retorno. É tudo que sei (e pra dizer a verdade é tudo que preciso saber, que quero). Não vou dizer que não cumprirei com o "tripé de pessoa integra", pode apostar que terei respeito, amizade e lealdade por todos que tiverem o mesmo comigo. Quando digo "egoismo" entenda correto: minhas demonstrações de amor (porque decidi chamá-lo assim) será sempre pra quem retribuir. Esta coisa de amar sozinha e sofrer é bonito em filme porque faz a gente chorar por achar bonito, mas na vida real ninguém chora pela nossa dor, e no fim de nosso filme acabamos nós mesmos chorando as nossas dores e as da plateia, que deveria chorar com a gente se não estívesse ocupada demais comendo pipoca.

Tudo o que quero dizer com todo este nada é que me encontro agora no momento de vácuo, de metamorfose, de minutos antes da explosão. Contudo, sempre preferi a explosão, o climax... e sendo assim, minha vida foi sempre um conjunto de inúmeros climax o que, aprendi agora, pode ser uma forma errada de entender o prazer da vida. Depois do climax é o momento que o filme acaba, que o homem dorme, que o chocolate fica na mesma temperatura que o sorvete, que tudo na vida amorna... O que eu quero é o filme com inúmeros finais pra eu brincar de qual me agrada, o prazer do tântrico que se prolonga, o petit gâteau que dura pra sempre... quero a vida absoluta, gigante, saborosa, toda minha e sem faltar pedaços.

Amor tem que ser por inteiro e correspondido senão é apenas altruismo realizado por quem não se ama e destinado a alguém que se ama mais do que deveria.

"Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz. " Tati Bernardi

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pelo desapego acordado! (nos dois sentidos)



“- Você pensa as coisas de um jeito e eu penso de outro. Eu te amo e você não gosta de mim, não tem o que se fazer mais.
- Eu gosto de você.
- Gostar não basta”
(Frases originais do fim da minha novela mexicana favorita: aquela que era minha)


“Eu te amo” disse ela, achando que realmente sabia o que estava falando, ela sabia que amava porque gostava do.... de.... de.... da... ela não sabia dizer nada que gostava dele, talvez gostasse sim do que ela sentia, o amor que ela tinha era a coisa mais bonita que ela conseguia ver entre eles, e isso não bastava, ninguém pode amar o amor que sente.
Lavaram todas as roupas sujas, pediram desculpas, relembraram fatos, ela chorou, chorou e chorou. Ele a olhava com os olhos secos e concentrados, ela desviava o olhar: “como ele pode ter o coração tão duro?”, ela pensava. Ela chorava não pelo amor que não deu certo, nem pelo que poderia ter e não tinha e muito menos pela falta de amor dele, ela chorava por ter uma dó de si imensa, uma dó por ter se humilhado tantas vezes, uma dó por ter tentado e ter falhado, uma dó por ter dó dele, tudo era a pena que tinha de si mesma. Ninguém pode ter pena de si mesma, a compaixão só tem sentido quando é destinado ao outro, mas ela não enxergava assim, sentia-se lesada, queria cobrar-lhe os cinco anos destinados a este amor que era pena, mas ele não podia pagar, talvez nem quisesse.
Apesar que ele pediu desculpas, tantas vezes que a irritou. porque desculpas são apenas justificativas pra um erro que poderia ter sido evitado, se a pessoa quisesse no momento. Ele justificou pelo seus medos, inseguranças, traumas, e tantos outros motivos que ela não entendia, ou talvez não quisesse entender.
De repente ela se perguntou o que estava fazendo ali. Conhecer o apartamento novo dele e dar palpites na decoração, se preocupar em como está a família, e o trabalho, e o cachorro... tudo isso era tarefa de alguém que ocupa outro cargo na vida dele, ou então talvez sempre tenha sido este o cargo destinado a ela por ele: o de amiga que as vezes supri alguma carência.
As coisas foram jogadas as claras, colocadas em papel branco e limpo, era necessário apenas uma assinatura pra firmar aquele acordo de desapego, a partir dali as coisas começariam a fazer mais sentido, e era preciso tudo ser dito, esclarecido, e foi. Tudo era bem mais simples do que ela pensava, por que tudo era nada. Tudo que ela poderia ter era o presente, neste exato sentido: o presente dado no presente. Não existiria nunca um amanhã. Sem cobranças e sem destino, era tudo mais simples e menos romântico, era carnal. Carnal com “amizade, respeito e lealdade” foi o que ele disse. Pela primeira vez ela entendeu, mas entendeu sabendo que não havia de guardar o presente, precisava apenas recebê-lo.
Ela entendeu decidiu receber o presente apenas como presente. Algum presente do tipo que se usa, sorri e joga fora no dia seguinte, sem ressentimentos e nem tristeza, pelo contrario, com o sorriso de quem espera o próximo presente, contudo não se importando com quem porta o presente. Ela aprendeu a se interessar mais pelo presente do que pelo dono dele.
No outro dia, ela acordou com um cartão que não tinha vindo no presente, que ele mandou depois só pra lembra-lá quem foi o presenteador. Ela o leu e jogou fora, pois o momento do presente já tinha passado, o dono já tinha ido embora, não tinha sentido algum guardar o cartão, afinal de contas eles tinham feito um acordo assinado de desapego. E ela finalmente tinha compreendido ele como ele realmente é, alguém que só precisava de respeito, amizade e lealdade. Ela entendeu que só podemos cobrar aquilo que podemos dar, e vice-versa.
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"Cada vez acredito mais naquela máxima freudiana (ou metida a freudiana, nunca sei direito) de que a mulher ama, na verdade, o próprio amor que sente." Tati Bernardi

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quase tudo certo, OU NÃO!




Eu nunca te ligo, nem mando msg, nem penso, nem olho foto e nem nada, absolutamente nada... Sabe, pra falar a verdade eu nem lembro que você existe. Se você e todas as pessoas que me cobram uma atitude de não mais pensar em você reparassem, poderiam perceber que eu estou com outros pensamentos, estou querendo outros homens, estou feliz e estou completamente satisfeita comigo, com a vida, com o amor e com esta necessidade feliz de estar em paz o tempo todo.

Tudo que era você eu coloquei dentro de uma caixa e sentei em cima, não coloquei cadeado porque não queria ter grandes sacrificios, se eu podia mesmo facilitar todo o trabalho com o peso do meu corpo, então já me era o suficiente. Não abro o caixa, ja decorei tudo o que tem dentro (apesar de eu não pensar mais em você).

Eu não troco de estação quando tocam nossas músicas porque o dono da rádio pode achar que fez algo de errado pra mim, e pode se magoar, então deixo ali tocando mas nem presto atenção.

Aquela mensagem que foi parar no teu celular foi mensagem errada, não era pra voce. O fato é que ia mandar pra outra pessoa, e apesar de ter deletado teu numero do meu celular, o danado do número foi por vontade própria parar na listagem de numeros de envio. Juro mesmo que levei um susto quando vi.

Nossa foto cortada em pedacinhos não ocupa mais meu mural, mas o fato é que tirei uma foto antes de jogar fora, isso mesmo, foto dos inumeros pedacinhos. Em um dos pedacinhos da pra ver teu olho nitidamente, mas eu nem olho. Ignorei o fato.

Não é incrivel eu saber que você está em todas as partes e eu nem reparar, nem me importar?

Eu acho incrível.

Mais incrível que isso é apenas esta incerteza sobre até quando serei obrigada a mentir e até quando esta loucura toda vai ficar se pintando de sanidade, de correto...

"A gente faz as coisas pra matar dentro da gente e morre junto. A gente faz pra ferir quem pouco sente nossa existência e vai, aos poucos, deixando de existir pra gente mesmo. A gente faz pra provar que também existe sem amor e acorda se procurando no dia seguinte." Tati Bernardi

domingo, 25 de outubro de 2009

Tudo errado!



"A mulher tem uma coisa dentro de si, algo grosseiro, primário, estupidamente natural. Algo que é como uma voz. Algo que fica entre o hipotálamo e o cu. Uma voz que diz: esse sim, minha filha. Pode abrir as pernas. Esse não. Por mais pirotecnias financeiras ou existencialistas que um homem faça, quem decide a umidade de uma fêmea é essa voz." Tati Bernardi.


São Paulo, 23:16

Chega você exatamente 19 minutos atrasado, e eu que estava torcendo pra você me dar um bolo imenso fico irritada, sem explicações mais plausiveis, cobro teu atraso, mesmo sabendo que você atravessou a cidade olhando o mapa no teu celular pra não errar o caminho, e que fui eu quem mandei uma mensagem dizendo pra voce chegar atrasado porque meu compromisso ainda não tinha acabado. Você se desculpa, porque você tem esta mania de sempre ser perfeito, você quase se desculpou o dia que te deixei esperando mais de 50 minutos enquanto eu tomava champagne com meus amigos. E eu preferia um bolo sim, é dificil explicar, mas eu não queria toda esta perfeição de tentar me agradar o tempo todo, queria você cruel, me fazendo esperar, me deixando irritada, quem sabe assim eu me apaixonasse absurdamente por você e tudo estaria resolvido.

O semáforo se fecha e você me beija (quanto tempo mesmo os semáforos em São Paulo ficam fechados? uma eternidade?) abriu, ufa. Eu ja nem sei mesmo porque estou ali, deve ser pra provar que posso ser feliz no amor apesar de tudo, mesmo se felicidade for beijar rezando pra um semaforo abrir, cada um tem a felicidade que merece. Será mesmo que nao posso escrever um pedido pra prefeitura de São Paulo retirar alguns semaforos da zona Sul? (eu realmente pensei em tudo isso enquanto você me falava sobre teu passeio à Belo Horizonte e sobre sua vontade de me levar pra assistir o cirque du soleil, e sobre meu novo apartamento que deve ser perto do teu, e sobre teu trabalho que faz você ter dinheiro pra termos uma velhice boa juntos, e sobre todas estas coisas que me colocam algemas pra sempre, no que me parecia um ingenuo passeio por São Paulo).

Chegamos ao teu belo apartamento na zona nobre de São Paulo e você com toda sua pose de "serei um velho rico" tenta me impressionar de todas as formas possíveis... mas nada me impressiona, veja bem: eu estava contando quantos semáforos tinha a cidade enquanto você me beijava.

No teu quarto, meu pensamento voa longe e não, não é sobre teus carinhos me fazerem ter vontade de me casar e ter filhos, mas sim de tentar perceber de que material é o edredon ou o lençol, porque são macios e eu queria pra mim, penso nos meus compromissos do dia seguinte, na palestra que assisti, na prova, na necessidade de terminar meu tcc... opa, você estava aqui não é? desculpe, onde estavamos mesmo?

Bem, não sei porque motivo, você percebe que estou distante, então tem uma ideia surpreendente para nós mulheres: discutir relacionamento. Peraí, em que momento eu virei o homem do relacionamento? Respondo que não é nada com você (meu Deus, como eu nunca tinha reparado o quanto isso é clichê e patetico) mas você parece não se convencer e tenta adivinhar todas as coisas que você poderia ter feito e ter me chateado, coisas estas que eu nem lembrava e que nem passavam pela minha cabeça. No alto de sua auto-discussão e da sua reflexão sobre os meus medos (?) você conclui: eu quero namorar! Oi? EU quero? Quem disse? Não, não... vamos voltar pra onde paramos e xiu.

Não, nada feito, você esta decididido e se é assim que eu (?) quero então vamos namorar, e claro, ele esperava um SIM meu, ja que a ideia tinha sido minha (?) e ficou mesmo surpreso quando eu disse "não" e ficou triste quando eu repeti... então pedi um tempo pra pensar e ele ficou um pouco mais animado. Sim, sinto-me mal sendo pouco sincera, mas como magoar alguem tão perfeito? Ele é bonito, inteligente, trabalhador, rico e carinhoso... qual o motivo eu teria para magoá-lo? E por que mesmo estou dispensando este sujeito?

Tento resumir minha recusa à perfeição nos seguintes critérios: pele, cheiro e beijo, afinal o que mesmo adianta toda a perfeição quando estes três ingredientes não combinam? Ou sei la, se for tentar me auto-analisar eu diria que é um medo imenso de ser feliz e ser amada, ou não... será que era pedir demais uma noite com bons beijos e um bom jantar? Eu nunca disse que queria algo perfeito, eu nunca quero.

Cuide de você.



"Say you're sorry, that face of an angel
Comes out just when you need it to
As I paced back and forth all this time
Cause I honestly believed in you
Holding on the days drag on
Stupid girl, I should've known
I should've known
I'm not a princess, this ain't a fairytale
I'm not the one you'll sweep off her feet
Lead her up the stairwell
This ain't hollywood, this is a small town
I was a dreamer before you went and let me down
Now it's too late for you and your white horse
to come around"

(Taylor Swift - White Horse)


Então eu fui ingenua durante todos estes anos, acreditando como uma garotinha de 15 anos que todas aquelas suas incertezas e fugas eram provas de amor, falando assim parece até patético, mas pra aquela menina sorrindo no meu mural de fotos isto tudo tinha uma coerência. Agora não, agora aquela foto foi picada e devidamente jogada no lixo, não tenho mais você nem no celular e nem no computador. Você foi devidamente pra lixeira em todos os sentidos. Demorou, mas criei coragem.

Uma ultima mensagem apenas diz "é realmente uma pena terminar assim. Cuide de você." por que por incrivel que pareça, não era assim que eu tinha imaginado, talvez tenha sido como você sempre planejou, ou ainda você simplesmente não tenha pensado em nada, não tenha planejado nada, nem mesmo finais felizes... talvez tanto fez o tempo todo, eu que não enxergava.

Agora, sozinha, com certo vazio temporário, eu ainda nao sei como caminhar (ou como voar), mas aprenderei mais rápido do que voce imagina, eu sempre aprendo. As coisas ainda são um pouco novas, esta liberdade de poder encontrar novos horizontes vem embrulhada num papel de fracasso e isso não tras felicidade, contudo, a ausência de você me faz lembrar que nunca tive de verdade a presença, aliás, tenho certeza que ninguém nunca teve, porque tua forma de amar é fria, teu olhar é frio e teu coração é duro como rocha, duro de medos e incertezas, e eu mereço alguém que tenha coraçao recheado de vontade de ser feliz pra que eu me inclua ali com o mesmo desejo meu.

Cuide de você por que não lhe desejo mal, foste importante demais e a ti entreguei todas os meus sentimentos mais puros, toda minha sinceridade e todo meu desejo de fazer-te feliz, mas talvez você ja seja feliz mesmo sem mim, eu é que não era, que precisava de ti mesmo com todo o nada que tinhas pra me oferecer. Mania boba de viver do passado e de chorar meus enganos. Não quero mais... e nem preciso.

Espero, de coração, que você encontre novas borboletas que queiram te trazer alegrias apesar de você ser o cavalo que sempre as fere um pouquinho, como naquela historia que eu preferia não ter lido um dia, ou ter lido e ter me despertado algo mais do que vontade de auto-destruição. Ou ainda, espero que você deixe de ser o tal cavalo, que se encante pela nova borboleta e que possa descobrir os sentimentos mais belos. Desejo o mesmo pra mim, sem a parte do cavalo, é claro, prefiro algum pássaro que não tenha medo de voar longe e alto.

Quanto a nós: Acabou... alias, faz anos que acabou.



"Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo." Tati Bernardi

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Você por toda parte!


Estou sentada num café em Perdizes. Ao lado, muitos barzinhos sem enchem de estudantes da faculdade que tem logo a minha frente. No café temos: eu, um chá gelado, um pedaço de torta e um casal de namorados que teimo em ignorar. Você esta no meio da rua, falando no celular enquanto gesticula (provavelmente pra algum amigo teu que não sabe onde fica o bar), automaticamente você passou de terno e óculos escuros do outro lado da rua, tão lindo que fez com que eu pensasse em nossos filhos. Em frente a banca de jornal você está fumando (apesar de você não fumar) e olha o relogio a todo momento, ansioso pela chegada de alguém. Neste momento quase há um auto-atropelamento, pois você, que estava no meio da rua, não percebeu o carro que vinha em sua direção, ao volante pude ver que você estava dirigindo com os vidros abertos, música e olhar atento dentro dos bares. Eu, sentada, penso em todos estes você que parecem me perseguir mesmo quando não penso em você. Pois, perceba, eu não estava pensando em você quando sua presença me invadiu, eu nunca penso, você é que surge sem pedir licença. O casal se levanta e passa por mim tentando entender porque escrevo tão rápido e nem toco no chá e na torta, provavelmente eles nem perceberam sua perseguição, talvez eles nem tenham percebido quantos de você estavam naquela rua. Nem todos são capazes de ver a mesma pessoa em todos os lugares. Penso que falta o amor, ou a loucura, ou apenas a obsessão.

"Não sei se era você, veja bem, te vejo a todos os instantes saindo e entrando de todo e qualquer lugar e nunca, nunca, é você. Às vezes são até mesmo umas pessoas bem feias e diferentes e impossíveis de te lembrar. Mas tudo lembra e assim sigo te vendo por toda parte a todos os instantes (engraçado que no dia que era você não levei susto e cheguei mesmo a pensar que você não é você, mas essa é outra história). " Tati Bernardi (pq mulher é tudo igual mesmo ¬¬ )

domingo, 18 de outubro de 2009

Aprendi com você.


"Se enxerga que talvez
Eu saiba o que é melhor pra mim
Meu coração não morreu
Pode crer...
Pode crer que quem sonhar, um dia o sonho vem
Ah, eu não desisto dessa idéia de poder comemorar...
Você vai ver que tudo vai mudar"

(Diversão - Nila Branco)


Enquanto o mundo caia sobre minha cabeça, eu acabava de vestir meu salto alto.

Você sumiu como sempre e claro que isso faz com que minha imaginação vá a mil e minha auto-estima caia a zero. Contudo, comprei roupa nova, me maquiei e fui... fui com a certeza de que depois de tudo que você me fez nada e nem ninguem vai conseguir me magoar, aprendi com voce a vestir uma certa armadura e não ter medo de perder. Por incrível que pareça toda a insegurança que você me fez provar, me fez mais segura. Nada pode ser pior que este oco imenso entre o coração e o ventre.

E lá tinha realmente alguem que poderia ser você, tanto faz é tudo igual mesmo. Mas, naquele momento, eu não era a mesma de sempre, eu era alguem que fala "ja volto, fica aí" ou "depois a gente se encontra" ou ainda "se você está dizendo tanto que precisa ir porque não foi ainda?" e assim descubro que todo mundo ali é inseguro, que fala que vai só pra escutar um "fica vai" e não digo, aprendi que posso ser extremamente insensivel e fria. Aprendi com você.

No entanto, no meu celular tem inúmeras ligações depois, daquele que deixei esperando em vários momentos, que dei ordem e deixei sem justificativas. Para mim era apenas alguém que tinha o beijo bom e nome engraçado.

De agora em diante é assim que será, assim que você sempre pensou comigo, assim que aprendi.

sábado, 17 de outubro de 2009

O amor é passageiro.



"É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim." Tati Bernardi


Primeiro foi o filme que mostrava um homem maduro indo salvar a mulher que não percebia o quanto era linda e possivel de ser amada. Depois foi um amigo (que uma amiga preferiu chamar de "amigoqueridogalinhaegostoso" ) no bar contando as historias maquiavélicas que já havia praticado como vingança às mulheres. Logo em seguida, o "grande amor da minha vida", ou melhor "um deles", agora casado, ali parado no mesmo bar com um copo de bebida na mão me observando.
Eu não tenho a minima ideia do que ele pensava, mas eu pensava "foi nesta vida ou foi em outra?", pois veja bem, eu nem conseguia lembrar de nada que se passou, nem lembranças ruins e nem boas. A sensação que me dava era que foi outra que passou por tudo isso, não eu, eu jamais faria as coisas que a outra fez, não por aquele estranho.

Não o cumprimentei. Não por descaso nem nada, apenas porque era como se eu não o conhecesse. De repente não tive vontade de jogar um copo de bebida na cara dele por todas as maldades que ja tinha me feito, nem de dar um abraço e dizer que apesar de tudo foi bom, e nem de olhar, nada, nada. Simplesmente ele era menos amigo que o garçom que veio limpar a minha mesa, para este eu sorri, para o outro nem isso. Não sei se isso me torna uma pessoa fria ou insensivel... Prefiro acreditar que sou intensa, apenas, de uma maneira que quero sugar tudo das pessoas o quanto me são queridas, mas depois que elas passam por mim, depois que meu sentimento por elas esfria, eu esqueço, não foi comigo, não era eu.

Ali, sentada com um copo de vodka na mão e ouvindo as histórias absurdas do meu amigo galinha enquanto era observada por alguem que para mim, naquele instante, era um desconhecido, foi que eu percebi que um dia vou te esquecer. Você irá passar ao meu lado e talvez eu te cumprimente, ou talvez nem tenha vontade, porque não terá importancia, você será carta jogada fora. Talvez eu esteja chorando por outro na ocasião, ou esteja completamente apaixonada e sendo amada, ou ainda talvez esteja exatamente como ontem... sem expectativas nenhuma.

E neste dia, no dia que eu não mais te amar...
eu não sei, eu nem consigo imaginar!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Metamorfose!


"É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas." Clarice Lispector
.
A metamorfose nem sempre é bonita, mas quase sempre é necessária.
Sinto-me outra e esta outra tem desejos incontroláveis, ansia por viver, e uma alegria demasiadamente grande, tão grande que não aceita ser dividida com quem ama pequeno.
Com licença, mas estou transformando-me em algo que voa. Se quiser voar terá que ser ao meu lado, senão, infelizmente, terei que o deixar cair.
Estou começando um novo projeto, e neste novo projeto uma nova eu se dedica a escrever. Assim sendo, escreverei aqui verdades, realidades inventadas e mentiras bonitas. Nada precisa ser extremamente verdadeiro, afinal de contas, de verdadeira ja me basta a mim mesma.
Mas quero, antes de tudo, que o que eu escrever aqui me incentive a voar cada vez mais alto, experimentar novos ares e acreditar, novamente, que o amor foi inventado para fazer a gente mais feliz.
Indo em direção ao infinito, voando até encontrar um lugar seguro pra pousar e me refazendo a cada dia. Porque se não for pra viver grande, qual o motivo de estarmos aqui?
Sejam bem vindos ao meu lugar de descobertas! Que as minhas próprias descobertas díárias traga inspirações (principalmente a mim mesma) para novas metaformoses.