
Sábado, 00:45.
Ficar sentada em frente ao computador enquanto escuto Vanessa da Mata em ritmo de forró com voz de alguma "pseudocantoraloiramalvestidarebolando" não era exatamente o que eu pensava pro meu sábado a noite, acontece que minha vizinha resolveu fazer sua festa de aniversario para comemorar seus 40 anos de péssimo gosto musical e total falta de respeito pelos moradores do bairro, pra minha infelicidade. Cada 2 segundos de silêncio, quando a musica troca de faixa, todos os meus neuronios agradecem ao rápido alívio mas rapidamente a música volta e todos eles gritam e pedem desesperadamente para que eu dê um tiro na minha cabeça para aliviar toda esta angustia que é por quase todo o mundo ter tanto mal gosto.
Minha amiga me liga convidando-me para um balada e eu automaticamente penso na unha que não fiz porque preferi dormir a tarde inteira, no cabelo não escovado porque no calor isso vira algo próximo da tortura e em toda esta minha vontade de ficar quietinha no meu canto pra pensar, respirar ou simplesmente não fazer nada. O ambiente de uma balada parecia-me não condizer com nada disto, todo aquele som que invade seus timpanos e deixa surdo tudo que encontra, os meninos "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro" puxando teu cabelo porque acham que nos deixam excitadas, e as meninas que rebolam tentando seduzir estes meninos, e a fila pra ir no banheiro, e a fila pra pagar, e gastar um pouco mais pra ter um espaço de 1m² pra tentar respirar, e a produção que vira nada nos primeiros minutos la dentro porque as meninas que estavam rebolando tentando seduzir o menino resolvem ter ciumes e se vingar jogando bebida no teu cabelo e pisando no teu pé (com um sapato que você pagou o olho da cara), e a vodka que bebo pra tentar esquecer tudo aquilo e que faz com que eu acabe beijando o menino "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro"só porque vou esquecer mesmo. Não. Hoje não, apesar da companhia ser ótima, NÃO, hoje só quero silêncio.
Penso numa solução aos meus problemas, vou a frente de casa, atravesso a legião de meninos de boné que estão felizes porque na festa tem cerveja e eles nem tem que pagar por ela, procuro uma menina simpática e peço encarecidamente que ela mande a dona da casa abaixar o volume da música. Ela entende e concorda, mas me olha como quem pergunta qual seria a minha idade, pergunto-me também.
O som abaixa um pouco e eu sinto-me a vontade para sentar e escrever sobre todo este nada. O problema é que escrevendo percebo que hoje acordei com 25 anos e neste exato momento tenho 43 e no mínimo 5 gatos que suprem minha carência que começou desta preguiça imensa de me divertir nestes lugares onde tem tanta gente se divertindo com tanta coisa que não me basta.
"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho." Tati Bernardi
Que hilária!
ResponderExcluirNão sei se te xingo por ser tão fútil (que muleque de 18 anos repararia nas tuas unhas não feitas ou no improviso no teu cabelo!), se te mato por não ter ido comigo ou se morro de rir e te dou um abraço de urso por ser tão sincera...
Eu entendo esses dias de velha.. Entendo a música incomodando e tudo mais.. E entendo também que vc escapou bem falando q a companhia seria ótima hahahaha
Queria ter melhorado teu sábado e o meu.. Mas talvez eu piorasse né.. vai saber.. Gosto de ti mesmo não qrendo salvar meu dia, não dá para ser heroína de uma destrambelhada como eu todas as vezes..!
Espero que os pensamentos todos e o fds todo com caipirinha, música ruim em alto volume ou um computador solitário sábado a noite tenham valido de alguma coisa!
te amo!