sábado, 7 de novembro de 2009

Eu jamais serei a mesma!

"Não pensa mais nada
No final dá tudo certo
De algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
e ninguem aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma"


(Zelia Duncan - Eu me acerto)


Desculpe, mas a verdade é que eu sempre te amei apenas até a próxima cólica, e era antes dela que cobrava-te amor também. Pra dizer a verdade, eu deixo sempre de te amar no momento que temo que ela não se apresente. Isso não é amor? Provavelmente não. Justifico-me dizendo que este nada é o máximo que cheguei perto de amar, então o chamo de amor, apenas por falta de referência.

Aproveitando que acordei sincera, creio que deva confessar que nem gostaria de escrever sobre você, gostaria de escrever do presente, mas meu presente é um monte de obrigações de moça adulta mesclado com vida adolescente de amiga dormindo em casa e fofocando. O que me parece ser muito melhor do que discutir a combinação de branco e preto nos bancos do seu balcão. Mas se quero falar de mudança, de não me reconhecer dentro desta pessoa que não te ama, tenho que falar do passado, tenho que ressuscitar o passado de amor inventado, tenho que comparar com o futuro (que é aquele que nem imagino e nem quero imaginar) e daí sim, me deparar com este agora, com a transição.

O futuro que eu sei neste momento é apenas uma prévia do meu amanhã e neste amanhã tudo que eu sei é que vou acordar e vou viver por mim (egoistamente por mim), sem programar e sem esperar qualquer retorno. É tudo que sei (e pra dizer a verdade é tudo que preciso saber, que quero). Não vou dizer que não cumprirei com o "tripé de pessoa integra", pode apostar que terei respeito, amizade e lealdade por todos que tiverem o mesmo comigo. Quando digo "egoismo" entenda correto: minhas demonstrações de amor (porque decidi chamá-lo assim) será sempre pra quem retribuir. Esta coisa de amar sozinha e sofrer é bonito em filme porque faz a gente chorar por achar bonito, mas na vida real ninguém chora pela nossa dor, e no fim de nosso filme acabamos nós mesmos chorando as nossas dores e as da plateia, que deveria chorar com a gente se não estívesse ocupada demais comendo pipoca.

Tudo o que quero dizer com todo este nada é que me encontro agora no momento de vácuo, de metamorfose, de minutos antes da explosão. Contudo, sempre preferi a explosão, o climax... e sendo assim, minha vida foi sempre um conjunto de inúmeros climax o que, aprendi agora, pode ser uma forma errada de entender o prazer da vida. Depois do climax é o momento que o filme acaba, que o homem dorme, que o chocolate fica na mesma temperatura que o sorvete, que tudo na vida amorna... O que eu quero é o filme com inúmeros finais pra eu brincar de qual me agrada, o prazer do tântrico que se prolonga, o petit gâteau que dura pra sempre... quero a vida absoluta, gigante, saborosa, toda minha e sem faltar pedaços.

Amor tem que ser por inteiro e correspondido senão é apenas altruismo realizado por quem não se ama e destinado a alguém que se ama mais do que deveria.

"Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz. " Tati Bernardi

Um comentário:

  1. Nossa. Muito bom!
    Nossa.. Estou sem palavras! É bem isso.. Bem isso!!

    "ninguém chora pela nossa dor, e no fim de nosso filme acabamos nós mesmos chorando as nossas dores e as da plateia, que deveria chorar com a gente se não estívesse ocupada demais comendo pipoca."

    Falou tudo.. ficou maravilhosoo!! Você está cada vez melhor amiga!!

    beeeeijo

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