domingo, 22 de novembro de 2009

A culpa é de quem?



"Eu esperava alguém que pudesse só me abraçar por um tempo maior que esses socorros rápidos que arrumo quando grito mais alto" Tati Bernardi


A culpa é SUA.


É... você... você mesmo que está em algum lugar do mundo neste exato momento e nem sabe que eu existo e que eu também não sei e a gente continua vivendo como se fosse muito feliz um sem o outro, mas isso não é possivel.


Não acredito que exista mesmo uma metade da laranja, uma alma gemea e todos estes papos romanticos... mas acredito que vai ter alguem que eu vou olhar e vou saber, que vou gostar "apesar de", que meu coração vai palpitar cada vez que eu pensar e que vou fechar os olhos sorrindo quando for dormir.


O mundo está cheio de gente assim, eu também sei, mas é tanta carência com tanta gente que ama só pra dizer que é amado que eu ja nem sei se existe tanta gente que sente isso mesmo.


Só quero alguém que me abrace e este abraço me deixe a vontade e em paz. É pedir muito?


Não quero ser destas pessoas que a gente sabe que tudo dentro de si é nada, mas liga no meio de uma quarta-feira pra outra pessoa só pra ter a sensação que este nada pode ser preenchido de algo quando você quiser. Não quero ser esta pessoa com o nada.


Só me diga onde encontrar aquelas pessoas que viram seu amigo, e você gosta tanto da companhia, quer tanto bem, se sente tão a vontade e de repente percebe que não pode viver sem? Ficaram guardadas na sessão da tarde, eu sei.


Enfim, quando você ler isso, você saberá que eu estava procurando por você durante todo este tempo,e que você me deixou esperando por tantos anos, tantos anos que neste momento devo estar com alguem do meu lado que eu nunca amei mas gosto de como ele preenche o meu nada.


Lembre-se que eu te avisei, avisei que nós dois, estas pessoas que eram pra ser tão especiais e completas, viraram um quase igual a todo mundo, assumiram sua carencia e sua impossibilidade de viver esperando algo que nunca vai chegar mesmo.



Ps. não é nada não, é que hoje eu estou vazia. E quer saber, nem é culpa tua, é minha! Eu e esta mania idiota de querer ser mais do que sou, de querer amar bonito e nem percebo que amar já seria o suficiente. Mas se eu percebo isso então a culpa passa a não ser mais minha. A culpa é de toda esta gente no meio do caminho entre eu e você que nos impede o encontro. O encontro entre eu e você. Você que nem existe.



"Mulher sem amor, é como flor sem sol, elas murcham"
FD Amelie Poulain!


sábado, 14 de novembro de 2009

Me deixem ser velha


Sábado, 00:45.

Ficar sentada em frente ao computador enquanto escuto Vanessa da Mata em ritmo de forró com voz de alguma "pseudocantoraloiramalvestidarebolando" não era exatamente o que eu pensava pro meu sábado a noite, acontece que minha vizinha resolveu fazer sua festa de aniversario para comemorar seus 40 anos de péssimo gosto musical e total falta de respeito pelos moradores do bairro, pra minha infelicidade. Cada 2 segundos de silêncio, quando a musica troca de faixa, todos os meus neuronios agradecem ao rápido alívio mas rapidamente a música volta e todos eles gritam e pedem desesperadamente para que eu dê um tiro na minha cabeça para aliviar toda esta angustia que é por quase todo o mundo ter tanto mal gosto.
Minha amiga me liga convidando-me para um balada e eu automaticamente penso na unha que não fiz porque preferi dormir a tarde inteira, no cabelo não escovado porque no calor isso vira algo próximo da tortura e em toda esta minha vontade de ficar quietinha no meu canto pra pensar, respirar ou simplesmente não fazer nada. O ambiente de uma balada parecia-me não condizer com nada disto, todo aquele som que invade seus timpanos e deixa surdo tudo que encontra, os meninos "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro" puxando teu cabelo porque acham que nos deixam excitadas, e as meninas que rebolam tentando seduzir estes meninos, e a fila pra ir no banheiro, e a fila pra pagar, e gastar um pouco mais pra ter um espaço de 1m² pra tentar respirar, e a produção que vira nada nos primeiros minutos la dentro porque as meninas que estavam rebolando tentando seduzir o menino resolvem ter ciumes e se vingar jogando bebida no teu cabelo e pisando no teu pé (com um sapato que você pagou o olho da cara), e a vodka que bebo pra tentar esquecer tudo aquilo e que faz com que eu acabe beijando o menino "tenho 18, não faço nada da vida, não tenho assunto, mas juntei 50 conto pra tá aqui hoje e to de carro"só porque vou esquecer mesmo. Não. Hoje não, apesar da companhia ser ótima, NÃO, hoje só quero silêncio.

Penso numa solução aos meus problemas, vou a frente de casa, atravesso a legião de meninos de boné que estão felizes porque na festa tem cerveja e eles nem tem que pagar por ela, procuro uma menina simpática e peço encarecidamente que ela mande a dona da casa abaixar o volume da música. Ela entende e concorda, mas me olha como quem pergunta qual seria a minha idade, pergunto-me também.

O som abaixa um pouco e eu sinto-me a vontade para sentar e escrever sobre todo este nada. O problema é que escrevendo percebo que hoje acordei com 25 anos e neste exato momento tenho 43 e no mínimo 5 gatos que suprem minha carência que começou desta preguiça imensa de me divertir nestes lugares onde tem tanta gente se divertindo com tanta coisa que não me basta.

"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho." Tati Bernardi

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A semana, a morte, a fome... a busca pelo novo!


"Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.De tanto treinar acostumei.
E cadê a inspiração? Foi embora junto com a minha pureza, a minha crença, a minha fidelidade.Eu sou comum, igualzinho a você, a vocês. Eu cometo erros mesquinhos e sou capaz de grandes momentos (...)
E eu nunca me agarro em mim, sempre espero alguém chegar.Eu não queria ter ido tão longe. Nem seguido um que não posso, nem aturando outro que nunca pude.Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos (...)
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não."

Peço desculpas à Tati Bernardi, pois além de sempre citá-la em meus textos, desta vez passei dos limites, coloco um texto quase na integra e ainda tenho a audácia de tirar apenas as partes que não condizem com meu momento, o que são poucas, porque cada vez mais descubro que mulher é quase sempre muito parecida mesmo.

Quando alguem é capaz de falar de você mesma com mais categoria, tudo o que nos resta é copiar e citar a fonte. De resto qualquer coisa que diga aqui será uma grande redundancia.

Contudo, como tudo na minha vida sempre foi redundante, inclusive o fato de dizer milhões de vezes que desta vez é pra sempre, que acabou, que você morreu... creio que possa repetir o que a supra citada autora disse. Creio que possa falar com minhas palavras.

Quero que fique registrado: hoje, lendo o texto acima, lembrei-me que faz uma semana. Eu sei, uma semana não quer dizer nada, nem é razão de comemoração, mas uma semana sem pensar em ti, antes, era como uma semana sem comer e sentindo uma fome de deserto. Agora não, a fome, pra dizer bem a verdade, ainda continua aqui, mas é como se você tivesse sido o prato predileto que eu enjoei de tanto comer. A fome continua a mesma, mas pede por outro prato.

Falando assim parece bem grosseiro e até mesmo petulante, desculpe-me unica leitora, mas foi a forma menos poetica que encontrei, até mesmo porque ando com um pouco de preguiça de fazer poesia, deve ser por causa da fome que ainda não descobriu nenhum desejo de consumo.

Engraçado ter fome, não saber de que e ainda assim levar a vida sem se preocupar com o fato... deve ser o peso que tirei das costas quando percebi que meu amor por você era pesado demais pro meu corpo leve... ou ainda pode ser o ar que passa mais livremente pela minha garganta agora que deixei de ficar sufocada pelas suas falsas expectativas... ou talvez seja simplesmente a certeza de que comida nunca faltará e dentro em pouco identifico o objeto da fome.
Quando acontecer, sera fome que devora, sentimento que explode, agua calma que completa sem nunca transbordar. O amor não era sempre pra ser assim? Então espero o homem que nunca tive, aquele de verdade, que saiba me dar um amor de verdade!

sábado, 7 de novembro de 2009

Eu jamais serei a mesma!

"Não pensa mais nada
No final dá tudo certo
De algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão
e ninguem aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma"


(Zelia Duncan - Eu me acerto)


Desculpe, mas a verdade é que eu sempre te amei apenas até a próxima cólica, e era antes dela que cobrava-te amor também. Pra dizer a verdade, eu deixo sempre de te amar no momento que temo que ela não se apresente. Isso não é amor? Provavelmente não. Justifico-me dizendo que este nada é o máximo que cheguei perto de amar, então o chamo de amor, apenas por falta de referência.

Aproveitando que acordei sincera, creio que deva confessar que nem gostaria de escrever sobre você, gostaria de escrever do presente, mas meu presente é um monte de obrigações de moça adulta mesclado com vida adolescente de amiga dormindo em casa e fofocando. O que me parece ser muito melhor do que discutir a combinação de branco e preto nos bancos do seu balcão. Mas se quero falar de mudança, de não me reconhecer dentro desta pessoa que não te ama, tenho que falar do passado, tenho que ressuscitar o passado de amor inventado, tenho que comparar com o futuro (que é aquele que nem imagino e nem quero imaginar) e daí sim, me deparar com este agora, com a transição.

O futuro que eu sei neste momento é apenas uma prévia do meu amanhã e neste amanhã tudo que eu sei é que vou acordar e vou viver por mim (egoistamente por mim), sem programar e sem esperar qualquer retorno. É tudo que sei (e pra dizer a verdade é tudo que preciso saber, que quero). Não vou dizer que não cumprirei com o "tripé de pessoa integra", pode apostar que terei respeito, amizade e lealdade por todos que tiverem o mesmo comigo. Quando digo "egoismo" entenda correto: minhas demonstrações de amor (porque decidi chamá-lo assim) será sempre pra quem retribuir. Esta coisa de amar sozinha e sofrer é bonito em filme porque faz a gente chorar por achar bonito, mas na vida real ninguém chora pela nossa dor, e no fim de nosso filme acabamos nós mesmos chorando as nossas dores e as da plateia, que deveria chorar com a gente se não estívesse ocupada demais comendo pipoca.

Tudo o que quero dizer com todo este nada é que me encontro agora no momento de vácuo, de metamorfose, de minutos antes da explosão. Contudo, sempre preferi a explosão, o climax... e sendo assim, minha vida foi sempre um conjunto de inúmeros climax o que, aprendi agora, pode ser uma forma errada de entender o prazer da vida. Depois do climax é o momento que o filme acaba, que o homem dorme, que o chocolate fica na mesma temperatura que o sorvete, que tudo na vida amorna... O que eu quero é o filme com inúmeros finais pra eu brincar de qual me agrada, o prazer do tântrico que se prolonga, o petit gâteau que dura pra sempre... quero a vida absoluta, gigante, saborosa, toda minha e sem faltar pedaços.

Amor tem que ser por inteiro e correspondido senão é apenas altruismo realizado por quem não se ama e destinado a alguém que se ama mais do que deveria.

"Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz. " Tati Bernardi

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pelo desapego acordado! (nos dois sentidos)



“- Você pensa as coisas de um jeito e eu penso de outro. Eu te amo e você não gosta de mim, não tem o que se fazer mais.
- Eu gosto de você.
- Gostar não basta”
(Frases originais do fim da minha novela mexicana favorita: aquela que era minha)


“Eu te amo” disse ela, achando que realmente sabia o que estava falando, ela sabia que amava porque gostava do.... de.... de.... da... ela não sabia dizer nada que gostava dele, talvez gostasse sim do que ela sentia, o amor que ela tinha era a coisa mais bonita que ela conseguia ver entre eles, e isso não bastava, ninguém pode amar o amor que sente.
Lavaram todas as roupas sujas, pediram desculpas, relembraram fatos, ela chorou, chorou e chorou. Ele a olhava com os olhos secos e concentrados, ela desviava o olhar: “como ele pode ter o coração tão duro?”, ela pensava. Ela chorava não pelo amor que não deu certo, nem pelo que poderia ter e não tinha e muito menos pela falta de amor dele, ela chorava por ter uma dó de si imensa, uma dó por ter se humilhado tantas vezes, uma dó por ter tentado e ter falhado, uma dó por ter dó dele, tudo era a pena que tinha de si mesma. Ninguém pode ter pena de si mesma, a compaixão só tem sentido quando é destinado ao outro, mas ela não enxergava assim, sentia-se lesada, queria cobrar-lhe os cinco anos destinados a este amor que era pena, mas ele não podia pagar, talvez nem quisesse.
Apesar que ele pediu desculpas, tantas vezes que a irritou. porque desculpas são apenas justificativas pra um erro que poderia ter sido evitado, se a pessoa quisesse no momento. Ele justificou pelo seus medos, inseguranças, traumas, e tantos outros motivos que ela não entendia, ou talvez não quisesse entender.
De repente ela se perguntou o que estava fazendo ali. Conhecer o apartamento novo dele e dar palpites na decoração, se preocupar em como está a família, e o trabalho, e o cachorro... tudo isso era tarefa de alguém que ocupa outro cargo na vida dele, ou então talvez sempre tenha sido este o cargo destinado a ela por ele: o de amiga que as vezes supri alguma carência.
As coisas foram jogadas as claras, colocadas em papel branco e limpo, era necessário apenas uma assinatura pra firmar aquele acordo de desapego, a partir dali as coisas começariam a fazer mais sentido, e era preciso tudo ser dito, esclarecido, e foi. Tudo era bem mais simples do que ela pensava, por que tudo era nada. Tudo que ela poderia ter era o presente, neste exato sentido: o presente dado no presente. Não existiria nunca um amanhã. Sem cobranças e sem destino, era tudo mais simples e menos romântico, era carnal. Carnal com “amizade, respeito e lealdade” foi o que ele disse. Pela primeira vez ela entendeu, mas entendeu sabendo que não havia de guardar o presente, precisava apenas recebê-lo.
Ela entendeu decidiu receber o presente apenas como presente. Algum presente do tipo que se usa, sorri e joga fora no dia seguinte, sem ressentimentos e nem tristeza, pelo contrario, com o sorriso de quem espera o próximo presente, contudo não se importando com quem porta o presente. Ela aprendeu a se interessar mais pelo presente do que pelo dono dele.
No outro dia, ela acordou com um cartão que não tinha vindo no presente, que ele mandou depois só pra lembra-lá quem foi o presenteador. Ela o leu e jogou fora, pois o momento do presente já tinha passado, o dono já tinha ido embora, não tinha sentido algum guardar o cartão, afinal de contas eles tinham feito um acordo assinado de desapego. E ela finalmente tinha compreendido ele como ele realmente é, alguém que só precisava de respeito, amizade e lealdade. Ela entendeu que só podemos cobrar aquilo que podemos dar, e vice-versa.
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"Cada vez acredito mais naquela máxima freudiana (ou metida a freudiana, nunca sei direito) de que a mulher ama, na verdade, o próprio amor que sente." Tati Bernardi

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quase tudo certo, OU NÃO!




Eu nunca te ligo, nem mando msg, nem penso, nem olho foto e nem nada, absolutamente nada... Sabe, pra falar a verdade eu nem lembro que você existe. Se você e todas as pessoas que me cobram uma atitude de não mais pensar em você reparassem, poderiam perceber que eu estou com outros pensamentos, estou querendo outros homens, estou feliz e estou completamente satisfeita comigo, com a vida, com o amor e com esta necessidade feliz de estar em paz o tempo todo.

Tudo que era você eu coloquei dentro de uma caixa e sentei em cima, não coloquei cadeado porque não queria ter grandes sacrificios, se eu podia mesmo facilitar todo o trabalho com o peso do meu corpo, então já me era o suficiente. Não abro o caixa, ja decorei tudo o que tem dentro (apesar de eu não pensar mais em você).

Eu não troco de estação quando tocam nossas músicas porque o dono da rádio pode achar que fez algo de errado pra mim, e pode se magoar, então deixo ali tocando mas nem presto atenção.

Aquela mensagem que foi parar no teu celular foi mensagem errada, não era pra voce. O fato é que ia mandar pra outra pessoa, e apesar de ter deletado teu numero do meu celular, o danado do número foi por vontade própria parar na listagem de numeros de envio. Juro mesmo que levei um susto quando vi.

Nossa foto cortada em pedacinhos não ocupa mais meu mural, mas o fato é que tirei uma foto antes de jogar fora, isso mesmo, foto dos inumeros pedacinhos. Em um dos pedacinhos da pra ver teu olho nitidamente, mas eu nem olho. Ignorei o fato.

Não é incrivel eu saber que você está em todas as partes e eu nem reparar, nem me importar?

Eu acho incrível.

Mais incrível que isso é apenas esta incerteza sobre até quando serei obrigada a mentir e até quando esta loucura toda vai ficar se pintando de sanidade, de correto...

"A gente faz as coisas pra matar dentro da gente e morre junto. A gente faz pra ferir quem pouco sente nossa existência e vai, aos poucos, deixando de existir pra gente mesmo. A gente faz pra provar que também existe sem amor e acorda se procurando no dia seguinte." Tati Bernardi