segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Terezinha fora de ordem.

(Texto escrito em 13 de Janeiro de 2018)

Hoje é 12 de janeiro. O primeiro dia em nossa nova casa, agora moramos juntos, eu e o dito terceiro homem, meu primeiro amor!
Hoje também é aniversário do segundo homem da Terezinha, meu primeiro desamor!
Entre desamor e amor, teve aquele que Terezinha conheceu primeiro e se assustou, eu não o conheci primeiro e nem me assustei mas percebi que não era amor e também disse não.
Algumas pessoas aparecem em nossas vidas sem um porquê definido, e nos acostumamos a chamar de amor. Digo por mim, romântica que sou, já imagino uma vida ao lado da pessoa, imagino o altar e nossos filhos. E na realidade, são pessoas que aparecem apenas pra nos mostrar o que o amor não é , pra mostrar que no amor não há a magia de algo platônico e devastador , nem a paz de uma razão nos dada.
O amor é uma confusão e um desassossego. É se dividir entre o seu e o outro, se misturar, se transformar em igual conservando a si mesmo. É ter medo e ir com medo mesmo. É chegar ao fim do dia e rir das brigas que tiveram durante ele. É não saber como será, mas saber com quem estará.
O amor, na verdade, é uma incógnita. Quando você pensa saber sobre ele, o outro parágrafo já te mostra que não.
Mas este texto não terá a ousadia de definir o amor. Este texto fala sobre três homens. Três homens que me fizeram descobrir minhas primeiras impressões do amor. O primeiro me ensinou o desamor, o segundo a me perdoar, e o terceiro agora me ensina a convivência. Eu e Terezinha unidas pelo destino e pelo desejo de amor sincero e verdadeiro, apenas.

A sozinha

(Texto escrito em 29 de Julho de 2017)



Esta foi uma carta de despedida durante tanto tempo e tantos escritores que me ficou a certeza de não querer me despedir. Afinal nada pode ser tão prolongado assim e parecer correto.
Então que seja uma carta de novidades. Cada dia uma nova novidade, já que não posso lhe escrever, escrevo aqui .
Na quinta  fui ao restaurante  japonês. Aquele que sempre fomos juntos. O casal sentado ao lado da janela achou que eu os conhecia, de tanto que eu olhava naquela direção. Pedi um missoshiro, você não sabe que isso é uma prova de amor, mas é uma sopa quente que demora muito pra tomar, assim tinha mais tempo pra você chegar. Você não chegou. Na hora do conta a gerente disse pra garçonete que a conta era da moça.. qual? A sozinha. Isso não é certo.
Ontem, na mesa do meu aniversário 50% eram pessoas que conheci através de você. Não é possível que isso seja certo.
Hoje é meu aniversário. Acordei e o porteiro me interfonou avisando das flores. Tremi. Chorei antecipado. Medo e felicidade. Chorei quando li sua carta. Ainda dói tanto. Não é possível que isso tudo seja o certo.
Meus pais vieram passar o dia comigo. Fomos naquele restaurante mineiro que planejamos tanto ir e fomos uma vez só.. foi mto legal. O garçom deu whisky de graça pra minha mãe e encheu o copo dela. Você teria dado risada de ver minha mãe bebinha. Minha mãe perguntou de quem eu sentia falta na cadeira ao lado. É triste né.. ? Eu queria que você estivesse ali. Não é mesmo possível que isso esteja certo. Não é.

Vidro quebrado

(Texto escrito em 27 de Junho de 2017)

Eu abri a porta. Eu nunca abro a porta, por medo de que o destino entenda que não quero voltar. Mas eu abri a porta e você me pediu pra não sair. Eu sai, mas voltei. Porque diabos eu sempre volto?
Voltei pra te escutar dizer que é claro que ainda me ama e que vai pensar no que fazer.
Você vai pensar. Mas não verá jeito de arrumar tudo isso. Pra você é tão difícil. Arrumar seria confessar todos os erros. Ir atrás de soluções para consertar o vidro quebrado é admitir que uma hora o deixou cair.  Que o deixou cair tantas vezes que se esmigalhou. A confiança se foi.
Nós dois sabemos que um vidro quebrado não se conserta. Sempre se verá os remendos. Seria apenas uma relação remendada entre duas pessoas tão incompletas que não foram capazes de serem felizes sozinhas.
O destino sabe o que nos reserva. Eu com outro alguém e você percebendo que tinha tanto e nunca mais terá. Eu te vendo com outra pessoa e sabendo que ela terá ao lado dela alguém que sempre sonhei. Que aprendeu com os erros e quer ser alguém melhor, pra ser e fazer feliz .
Não há o que ser feito. Eu abri a porta. Você me deixou ir embora. Nós dois tentamos remendar vidro quebrado. No fim das contas o destino sempre soube o que nos esperava.  Ele sabe.
E como disse a música que tocou quando entrei no carro "Ao sabor do vento, ficarei então, pois já é tempo de cuidar da embarcação"

sábado, 9 de janeiro de 2016

A árvore, a velha e o menino.




Nada mais paulistano do que sofrer por amor em uma tarde de garoa, sentada em uma padaria sozinha. Ela olhava a árvore que parecia querer voar com seus galhos para longe, o garoto girando sem parar em volta de si mesmo, e a velhinha entrando na padaria e também a observando e admirando, quem sabe, sua juventude.

Ele chegou. Eles mal conseguiram olhar nos olhos um do outro. Ela sabia que não queria olhá-lo com medo de chorar em público, seria patético demais, pensava ela.

Conversaram amenidades, ultimas noticias do facebook, alguma fofoca boba e olharam as opções de cardápio para ele, ela já havia comido sozinha.

Com o tempo, ali sentada, ela começou a pensar que talvez fosse igual a arvore, querendo voar, mas por medo continuava com seus pés fincados ao chão; ou talvez como o menino, girando girando sem sair do lugar, tonta em volta de si mesma, cansada, procurando soluções por todos os lados mas ao fim parada no mesmo lugar; por fim se viu apenas como a velha, olhando para dentro de si mesma e pensando “...se eu fosse jovem, faria tanta coisa diferente, pena que já passou meu tempo.”

Então eles decidiram levantar, pagar a conta e ir embora (na verdade, ele decidiu, ela apenas o seguiu). “Não vou chorar, não desta vez” era apenas o que passava pela cabeça dela.


Já ao lado do carro, ele a parou e pediu para que ela decidisse: se iria embora com ele ou sozinha. Imóvel, olho no olho, ela chorou. Não porque estava triste, mas sim por saber que não era capaz de dar a resposta. Afinal era apenas arvore fincada, garota tonta e velha frustrada. Não tinha então coragem, foco e esperanças.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Só escrevendo...



“Tudo começa bem, tudo termina aqui, nesse blog chatinho. No amor, o equivalente a largar tudo e escrever é exatamente largar tudo e escrever."
Tati Bernardi

Namorar não é pedir a companhia de alguém, é ter. Namorar não tem nada a ver com precisar de elogios ou romantismos, é os ter. Namorar não é ser sozinho, é ter, é ser de alguém, é pertencer.
Será?
Eu sempre achei que aos 27 eu estava pronta para namorar, já havia me divertido o suficiente, tinha feito as besteiras todas que precisava pra contar histórias pro resto da vida, seria fiel, seria boa esposa, seria tudo que o outro precisava de mim... e após dois anos, não fui.
Aos 30 resolvo tentar novamente, pois agora amadureci com a experiência, aprendi, e sei que com honestidade e diálogo tudo se resolve, sou capaz de ter uma relação que durará pro resto da vida, posso pensar no apartamento que financiaremos, nos filhos que teremos, na festa de casamento, sou capaz de ser a namorada perfeita, mas não sou.
Minha autoestima foi pro beleléu, me vejo cada vez mais me afastando das coisas que gosto, das pessoas que amo, vivendo a vida de outra pessoa e pedindo por favor para que ele me ame incondicionalmente e me  valorize, me queira, me deseje, me satisfaça, e seja o cara romântico dos nossos primeiros encontros, quero que ele não viva sem mim e que precise a todo momento das minhas mãos para caminhar, que já esteja fazendo os planos de vida, que perceba que seus amigos não estão lá quando ele precisa, que eu estou. Peço a todo custo que ele me enxergue... e ninguém deve pedir para ser enxergado. Definitivamente, namoro não é isto.
Não era pra ser simples? Mas meu primeiro namoro era simples e eu joguei tudo pro alto porque não era verdadeiro. Este é verdadeiro? Então porque não fico uma semana sem chorar e me sentir a menor pessoa do mundo? Mesclado com níveis intensos de ser a pessoa mais desejada deste mesmo mundo, nesta montanha russa sem sentido e digna de um romance adolescente. Se este é o relacionamento que terei pro resto da vida, ele deveria ser perfeito, mas não é.

E o que eu faço a respeito do assunto? Eu sento e escrevo, pois nem tudo nesta vida é pra ser resolvido, algumas coisas a gente só senta e espera, e dorme e acorda, e pensa e chora, e escreve... sempre escreve, só escreve.

sábado, 25 de outubro de 2014

Cuspe e sorriso.

(escrito em 17/10/2013)

Sou assim mesmo, sou destas de querer viver um grande e perdido caso de amor, mesmo naqueles que são muito mais perdidos do que grandes. Imagino mesmo como você ficaria de fraque me esperando e em qual lugar combinaria mais o nosso casamento, contudo, acredite, da mesma forma que imagino nosso casamento hoje, estarei imaginando outro amanhã, pois não é você que está no centro de tudo, sou eu... e no máximo o lindo casamento (também não pelo casamento em si, mas pelo grande evento do qual eu serei o centro), é quase um romantismo as avessas que não seria tão as avessas assim se fosse você o cara certo.
Tenho sede por viver tudo, e não poderia viver tudo com uma única pessoa, pois não existe alguém com um amor tão grande e majestoso como eu espero, então tenho este compromisso com minha felicidade de dividir os meus sentimentos em pequenos potes e sair distribuindo. Acredite este amor louco e devastador que você viu em mim, é apenas um pequeno pote que destinei a você. Se este pouquinho já te assusta, meu filho é melhor você cair fora mesmo, pois não sei ser menos, meu compromisso é com o exagero.
Então, como você me pareceu um bom moço, tem beijo gostoso e parece ser um pouco sincero, destinei a você uma linda lágrima ontem à noite, apenas uma, mas considere como um presente bem bonito, como uma bela caixa vazia com um laço gigante fechando-a. Não se entristeça ao abrir a caixa e perceber que não tem nada, pois no vazio também existe memória, e quero te deixar com todas elas, já que eu, por sorte, tenho amnésias.

Aliás, nem sei o que houve entre mim e você, em que momento me desconcentrei e te perdi de vista, mas deixo esta carta quase meio sem jeito e sem razões, apenas com boas lembranças e um até logo, porque sou destas que depois de um pouco de sofrimento consegue cuspir e sorrir na mesma frase e ainda assim provocar encanto, espero!

Encontros...


(escrito em 19/10/2013)

Dois desconhecidos, meia duzia de palavras ditas por outro, umas linhas despretensiosas de escrita, oito horas da manhã, milhões de carros na Paulista, um friozinho delicioso de calor, coração batendo acelerado... oi!
Nunca sei como conhecer alguém, sou tímida, então como estava atrasada pro nosso café da manhã (que tipo de primeiro encontro é feito numa padaria? coisas paulistanas) eu apenas pulei na sua frente e dei um semi-soco na sua barriga como se já fossemos amigos de longo data. Eu sei, não fez sentido mas você estava lendo, encostado na parede concentrado e eu que era menos interessante que aquela revista, tinha que chamar atenção. Ou talvez até mesmo você estivesse lendo pra diminuir a ansiedade de uma estranha vindo em sua direção. Não sei, não sou boa pra entender desconhecidos. Não quis perguntar pra não parecer desconhecida demais.
Não, não foi bem assim, na verdade foi antes. Te vi através de um vidro enquanto conversava sei lá o que com outra pessoa e fiquei ali olhando, você me olhou com expressão de "será que conheço esta menina... não lembro". Não, você não conhecia, eu não conhecia, ou talvez nós dois nos conhecêssemos, sei lá da onde.
Também não foi só isto, teve aquele vez em que você me viu através de outro alguém e ficou curioso sobre a pequena foto que estava ali estampada e quis saber um pouquinho mais, infelizmente as recomendações não eram tão claras e te confundiu, achou que me conhecesse e depois viu que não, malditas pessoas que não seguem suas primeiras intuições.
Voltando à padaria, nada poderia ser tão frustrante como ter um primeiro encontro numa padaria lotada com gente falando alto e a Ana Maria Braga na televisão, mas você sabia onde estava, adoro quando as pessoas são donas dos espaços que eu não sou, e você era, então estávamos alí em outro ambiente da padaria, calmamente pegando nosso café da manhã. Dois meios morangos, um pedaço de kiwi, dois pães de queijo, um sonho e um café. Eu sei, meu prato não tinha o minimo sentido, mas compreenda, eu nem sabia o que estava fazendo alí, me admira não ter deixado tudo cair. Seu prato, ao contrário, era incrível. Sou tão menina. Talvez isto tenha te feito o homem que levanta para pegar meu suco de laranja e como num passe de mágica pega minha comanda ao se levantar, não sei, mas qualquer coisa que fosse diferente da minha ogrisse alí me encantaria, então me encantou, e me fez querer mais, querer saber mais deste homem com sorriso de timidez e de malícia, de querer e talvez não. Por favor, diga que é querer sim!