(Texto escrito em 29 de Julho de 2017)
Esta foi uma carta de despedida durante tanto tempo e tantos escritores que me ficou a certeza de não querer me despedir. Afinal nada pode ser tão prolongado assim e parecer correto.
Então que seja uma carta de novidades. Cada dia uma nova novidade, já que não posso lhe escrever, escrevo aqui .
Na quinta fui ao restaurante japonês. Aquele que sempre fomos juntos. O casal sentado ao lado da janela achou que eu os conhecia, de tanto que eu olhava naquela direção. Pedi um missoshiro, você não sabe que isso é uma prova de amor, mas é uma sopa quente que demora muito pra tomar, assim tinha mais tempo pra você chegar. Você não chegou. Na hora do conta a gerente disse pra garçonete que a conta era da moça.. qual? A sozinha. Isso não é certo.
Ontem, na mesa do meu aniversário 50% eram pessoas que conheci através de você. Não é possível que isso seja certo.
Hoje é meu aniversário. Acordei e o porteiro me interfonou avisando das flores. Tremi. Chorei antecipado. Medo e felicidade. Chorei quando li sua carta. Ainda dói tanto. Não é possível que isso tudo seja o certo.
Meus pais vieram passar o dia comigo. Fomos naquele restaurante mineiro que planejamos tanto ir e fomos uma vez só.. foi mto legal. O garçom deu whisky de graça pra minha mãe e encheu o copo dela. Você teria dado risada de ver minha mãe bebinha. Minha mãe perguntou de quem eu sentia falta na cadeira ao lado. É triste né.. ? Eu queria que você estivesse ali. Não é mesmo possível que isso esteja certo. Não é.

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