sábado, 25 de outubro de 2014

Encontros...


(escrito em 19/10/2013)

Dois desconhecidos, meia duzia de palavras ditas por outro, umas linhas despretensiosas de escrita, oito horas da manhã, milhões de carros na Paulista, um friozinho delicioso de calor, coração batendo acelerado... oi!
Nunca sei como conhecer alguém, sou tímida, então como estava atrasada pro nosso café da manhã (que tipo de primeiro encontro é feito numa padaria? coisas paulistanas) eu apenas pulei na sua frente e dei um semi-soco na sua barriga como se já fossemos amigos de longo data. Eu sei, não fez sentido mas você estava lendo, encostado na parede concentrado e eu que era menos interessante que aquela revista, tinha que chamar atenção. Ou talvez até mesmo você estivesse lendo pra diminuir a ansiedade de uma estranha vindo em sua direção. Não sei, não sou boa pra entender desconhecidos. Não quis perguntar pra não parecer desconhecida demais.
Não, não foi bem assim, na verdade foi antes. Te vi através de um vidro enquanto conversava sei lá o que com outra pessoa e fiquei ali olhando, você me olhou com expressão de "será que conheço esta menina... não lembro". Não, você não conhecia, eu não conhecia, ou talvez nós dois nos conhecêssemos, sei lá da onde.
Também não foi só isto, teve aquele vez em que você me viu através de outro alguém e ficou curioso sobre a pequena foto que estava ali estampada e quis saber um pouquinho mais, infelizmente as recomendações não eram tão claras e te confundiu, achou que me conhecesse e depois viu que não, malditas pessoas que não seguem suas primeiras intuições.
Voltando à padaria, nada poderia ser tão frustrante como ter um primeiro encontro numa padaria lotada com gente falando alto e a Ana Maria Braga na televisão, mas você sabia onde estava, adoro quando as pessoas são donas dos espaços que eu não sou, e você era, então estávamos alí em outro ambiente da padaria, calmamente pegando nosso café da manhã. Dois meios morangos, um pedaço de kiwi, dois pães de queijo, um sonho e um café. Eu sei, meu prato não tinha o minimo sentido, mas compreenda, eu nem sabia o que estava fazendo alí, me admira não ter deixado tudo cair. Seu prato, ao contrário, era incrível. Sou tão menina. Talvez isto tenha te feito o homem que levanta para pegar meu suco de laranja e como num passe de mágica pega minha comanda ao se levantar, não sei, mas qualquer coisa que fosse diferente da minha ogrisse alí me encantaria, então me encantou, e me fez querer mais, querer saber mais deste homem com sorriso de timidez e de malícia, de querer e talvez não. Por favor, diga que é querer sim!

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