Nada
mais paulistano do que sofrer por amor em uma tarde de garoa, sentada em uma
padaria sozinha. Ela olhava a árvore que parecia querer voar com seus galhos
para longe, o garoto girando sem parar em volta de si mesmo, e a velhinha
entrando na padaria e também a observando e admirando, quem sabe, sua
juventude.
Ele
chegou. Eles mal conseguiram olhar nos olhos um do outro. Ela sabia que não queria
olhá-lo com medo de chorar em público, seria patético demais, pensava ela.
Conversaram
amenidades, ultimas noticias do facebook, alguma fofoca boba e olharam as
opções de cardápio para ele, ela já havia comido sozinha.
Com
o tempo, ali sentada, ela começou a pensar que talvez fosse igual a arvore,
querendo voar, mas por medo continuava com seus pés fincados ao chão; ou talvez
como o menino, girando girando sem sair do lugar, tonta em volta de si mesma,
cansada, procurando soluções por todos os lados mas ao fim parada no mesmo
lugar; por fim se viu apenas como a velha, olhando para dentro de si mesma e
pensando “...se eu fosse jovem, faria tanta coisa diferente, pena que já passou
meu tempo.”
Então
eles decidiram levantar, pagar a conta e ir embora (na verdade, ele decidiu,
ela apenas o seguiu). “Não vou chorar, não desta vez” era apenas o que passava
pela cabeça dela.
Já
ao lado do carro, ele a parou e pediu para que ela decidisse: se iria embora
com ele ou sozinha. Imóvel, olho no olho, ela chorou. Não porque estava triste,
mas sim por saber que não era capaz de dar a resposta. Afinal era apenas arvore
fincada, garota tonta e velha frustrada. Não tinha então coragem, foco e
esperanças.

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