sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

euodeiocasamentos.com.br


Eu acho que odeio casamentos!

Eu odeio chorar quando vejo a noiva entrar, odeio as músicas bregas, odeio chorar no juramento, a decoração brega, o buffet disputadissimo, o chorar vendo eles tirando fotos, as crianças, o ficar horas se arrumando e só ter gente brega, as velhas gordas, odeio quase tudo.

Foi então que o padre disse "agora, eu quero que cada pessoa, dentro do seu silêncio, apenas com teu coração, faça um desejo para os noivos, o desejo mais importante", e tudo o que eu consegui pensar foi "que ele não seja filho da puta com ela" e ri, ri sozinha do meu próprio pedido completamente pessimista, mas juro que foi de coração.

Uma moça de uns trinta e poucos anos se aproxima e dá um susto na moça da minha frente. A primeira solteira com cara de "este é meu 27º casamento sozinha" e a segunda acompanhada de seu marido. A solteira resolve fazer companhia para o casal que parece estar muito bem, a solteira comenta tudo da festa, como quem ja conhece tantos outros casamentos, só não sabe como arrumar um. Por um momento quase pensei em puxar assunto de comadre.

A daminha de honra entra e eu lembro que nunca nem daminha fui. Poxa, podiam ter pensado nisso quando eu era criança e minha unica diversão era chutar a canela dos meninos, deviam ter pensado "esta aí nunca vai casar, vamos deixar ela brincar pelo menos disso e convidá-la para ser daminha" ou então nunca tenham me chamado exatamente de medo que eu chutasse a canela do noivinho, o que provavelmente aconteceria.

Logo me vejo planejando meu casamento, pensando "ah isso eu não faria" "não, no meu casamento vai ser de tal jeito" "oba, tem lirio, no meu casamento vai ter lírio"... casamento o que? acorda menina que nem amor permite ter no peito, que não se sujeita e não acredita em nada disso. De repente me veio novamente a revista, o psicologo, a amiga, o terapeuta, a mãe, a vida, o quase tudo falando que não fui feita pra isso. Então é que penso "acho que os pobres e feios casam primeiro, porque eles não conseguem avaliar quanta coisa boa tem no mundo", mas era só um pensamento feio pra eu me sentir superior a tudo aquilo. Estava cansada de me emocionar com toda aquela coisa bonita que faz o noivo chorar e a noiva limpar carinhosamente a lágrima dele enquanto se olham um no olho do outro. Respiro fundo e engulo o choro. Amanhã tudo isso já acabou, procuro pensar.

Então que veio a festa, eu alí sentada praticamente sozinha esperando os noivos chegarem, me olho feia e sem vontade e penso "mulher sem amor é como flor sem sol, murcha". Daí vem um menino que eu paquerava quando mais nova, todo feliz querendo cumprimentar a mim e a minha mãe que nem o conhecia. E eu digo feliz "oi .... André" , o nome saiu mas apesar do meu olho meio fechadinho com cara de "to tentando lembrar", inutil, não lembrei de onde mesmo conhecia aquele moço, mas lembrava que era André e que era bem bonito antes da calvície. Olhei, sorri, e virei pro outro lado, exercitando todo o meu potencial de pessoa que nem quer se aventurar a nada, quanto mais a alguem que um dia foi bonito.

Hora de pegar o bouquet, tantas solteiras ocupavam aquele espaço e eu nem tinha percebido. A preguiça é tanta que não me permite levantar para sequer tentar a sorte. A moça solteira dos trinta e poucos anos teve coragem e se levantou para tentar não ficar pra titia, e como tantas outras voltou sem nenhuma florzinha. Eu queria dizer pra ela que pessoas como nós temos temos concessão para ter preguiça em ter esperança. Eu tenho!

Pra dizer a verdade foi um casamento bem bonito. Na verdade é apenas toda esta preguiça que anda me assombrando e faz com que eu veja as coisas de uma maneira bem mais pessimista. Mas passa, eu sei que passa.

Bem, pra ser sincera não sei, mas há algo entre a minha preguiça e esta dor no peito com vontade de chorar, que diz pra eu ter esperança!




Um comentário:

  1. Haahahahahahahahahaha não sei se é pra rir ou chorar, mas na dúvida to rindo sozinha!!!
    Cara que melhor hahahaha

    Mas oh, não há tempestade que dure para sempre.. E sinto que nosso dia de sol se aproxima!

    Casamentos, amores, noivo, casa, família.. tudo parecia tão certo que aconteceria quando era pequena.. maldita hora em que quis crescer! Mas quem sabe um dia! Que ele, pelo menos, não seja filho da puta!

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