
Estou sentada num café em Perdizes. Ao lado, muitos barzinhos sem enchem de estudantes da faculdade que tem logo a minha frente. No café temos: eu, um chá gelado, um pedaço de torta e um casal de namorados que teimo em ignorar. Você esta no meio da rua, falando no celular enquanto gesticula (provavelmente pra algum amigo teu que não sabe onde fica o bar), automaticamente você passou de terno e óculos escuros do outro lado da rua, tão lindo que fez com que eu pensasse em nossos filhos. Em frente a banca de jornal você está fumando (apesar de você não fumar) e olha o relogio a todo momento, ansioso pela chegada de alguém. Neste momento quase há um auto-atropelamento, pois você, que estava no meio da rua, não percebeu o carro que vinha em sua direção, ao volante pude ver que você estava dirigindo com os vidros abertos, música e olhar atento dentro dos bares. Eu, sentada, penso em todos estes você que parecem me perseguir mesmo quando não penso em você. Pois, perceba, eu não estava pensando em você quando sua presença me invadiu, eu nunca penso, você é que surge sem pedir licença. O casal se levanta e passa por mim tentando entender porque escrevo tão rápido e nem toco no chá e na torta, provavelmente eles nem perceberam sua perseguição, talvez eles nem tenham percebido quantos de você estavam naquela rua. Nem todos são capazes de ver a mesma pessoa em todos os lugares. Penso que falta o amor, ou a loucura, ou apenas a obsessão.
"Não sei se era você, veja bem, te vejo a todos os instantes saindo e entrando de todo e qualquer lugar e nunca, nunca, é você. Às vezes são até mesmo umas pessoas bem feias e diferentes e impossíveis de te lembrar. Mas tudo lembra e assim sigo te vendo por toda parte a todos os instantes (engraçado que no dia que era você não levei susto e cheguei mesmo a pensar que você não é você, mas essa é outra história). " Tati Bernardi (pq mulher é tudo igual mesmo ¬¬ )
hahahaa pois é.. mulher é tudo igual!
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