terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Em direção ao melhor.


Não.

Eu não deveria me preocupar, não podia ser gentil, nem amável, nem necessária. Não era prudente perguntar sobre sua vida, seus costumes, seu passado, seus traumas, nada disso fazia parte da minha função ali. Olhar demais era motivo de desconfiança, afinal, olho no olho o constrangia, e não tinha necessidade, o silencio também corrói e é desnecessário, logo eu que adoro um bom silêncio com olhar. Elogios eram estranhos e pertubava até, de certa forma, "lindo é coisa pra gay", "querido é coisa de vó", "amor é coisa de mãe e pai"...

Tudo era festa, sorrisos, brincadeiras, alto, breve, instantâneo... forte, fácil, dispensável e choro.


Não.

Tudo que ultrapassava a barreira feita de cimento, ferro e egoísmo era automaticamente contestado e proíbido.

Sendo assim fui me moldando ao que era correto pros instantes, já que eram tão poucos. E quando vi eu era a pessoa perfeita, aquela que ele jamais se apaixonaria. Consequentemente me transformei em alguém que conseguia facilmente bloquear o amor, o de si mesma primeiramente e depois os dos outros. Sabe como é, costumo ser boa aprendiz e fui.

Você me soltou, eu caí, e comecei a aprender a voar sozinha. Mas a maneira de voar aprendi contigo. A aerodinamica de meu vôo foi desenvolvida totalmente por você. Só que você era pássaro que voa sozinho, o mais alto possível que é para olhar pra baixo e não ver as belezas do mundo, pra não se aventurar a descer. Sendo assim, tive que desaprender suas lições, pra depois aprender sozinha.


Eu NÃO.

Sou pássaro que gosta de voar baixo, observando de tudo um pouco, reparando os olhares e sendo convidada a voar por outros cantos, por outros encantos. Sou de olhar nos olhos, sou de fazer elogios, sou de silencio, música e dança... sou alguém que você nunca pôde conhecer, mas que você não entenderia, você teria medo. Você sempre teve medo até mesmo sem conhecer.

Sou gente que gostar de cuidar, que tem bom coração e muita paciência. Sou gente que sabe a hora de voar e de pousar (ou que pelo menos está em fase de aprendizagem, afinal, algumas lições demoram mais para serem aprendidas), sou dedicada.


Você NÃO

Você foi pássaro que passou voando lá bem longe. Inalcansavel. Indiferente. Nem sei dizer se pode se chamar de pássaro aquele que nunca pousa.


Hoje descobri que você sempre esteve voando, principalmente quando eu caí. Eu caí, mas aprendi que cair, as vezes, é a unica saída pra aprender o melhor dos vôos.

Um comentário:

  1. Que lindo!

    Minha mãe sempre diz que nossos pais nos dão asas, a vida e as pessoas que passam por elas nos ensinam a voar e voam conosco por pouco ou muito tempo, mas que só depende de nós se o voo (perdeu o acento hahaha) vai ser bonito ou não. E digo, bonito em todos os sentidos! É claro que sempre tem essas horas de pousar, olhar, ficar em silência, quieta ou acompanhada. Fazer tudo ou nada. E sobreviver vivendo! ;)

    Te amo e, como sempre, estamos neste voo juntas!

    beeeijo

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