
“- Você pensa as coisas de um jeito e eu penso de outro. Eu te amo e você não gosta de mim, não tem o que se fazer mais.
- Eu gosto de você.
- Gostar não basta”
(Frases originais do fim da minha novela mexicana favorita: aquela que era minha)
“Eu te amo” disse ela, achando que realmente sabia o que estava falando, ela sabia que amava porque gostava do.... de.... de.... da... ela não sabia dizer nada que gostava dele, talvez gostasse sim do que ela sentia, o amor que ela tinha era a coisa mais bonita que ela conseguia ver entre eles, e isso não bastava, ninguém pode amar o amor que sente.
Lavaram todas as roupas sujas, pediram desculpas, relembraram fatos, ela chorou, chorou e chorou. Ele a olhava com os olhos secos e concentrados, ela desviava o olhar: “como ele pode ter o coração tão duro?”, ela pensava. Ela chorava não pelo amor que não deu certo, nem pelo que poderia ter e não tinha e muito menos pela falta de amor dele, ela chorava por ter uma dó de si imensa, uma dó por ter se humilhado tantas vezes, uma dó por ter tentado e ter falhado, uma dó por ter dó dele, tudo era a pena que tinha de si mesma. Ninguém pode ter pena de si mesma, a compaixão só tem sentido quando é destinado ao outro, mas ela não enxergava assim, sentia-se lesada, queria cobrar-lhe os cinco anos destinados a este amor que era pena, mas ele não podia pagar, talvez nem quisesse.
- Eu gosto de você.
- Gostar não basta”
(Frases originais do fim da minha novela mexicana favorita: aquela que era minha)
“Eu te amo” disse ela, achando que realmente sabia o que estava falando, ela sabia que amava porque gostava do.... de.... de.... da... ela não sabia dizer nada que gostava dele, talvez gostasse sim do que ela sentia, o amor que ela tinha era a coisa mais bonita que ela conseguia ver entre eles, e isso não bastava, ninguém pode amar o amor que sente.
Lavaram todas as roupas sujas, pediram desculpas, relembraram fatos, ela chorou, chorou e chorou. Ele a olhava com os olhos secos e concentrados, ela desviava o olhar: “como ele pode ter o coração tão duro?”, ela pensava. Ela chorava não pelo amor que não deu certo, nem pelo que poderia ter e não tinha e muito menos pela falta de amor dele, ela chorava por ter uma dó de si imensa, uma dó por ter se humilhado tantas vezes, uma dó por ter tentado e ter falhado, uma dó por ter dó dele, tudo era a pena que tinha de si mesma. Ninguém pode ter pena de si mesma, a compaixão só tem sentido quando é destinado ao outro, mas ela não enxergava assim, sentia-se lesada, queria cobrar-lhe os cinco anos destinados a este amor que era pena, mas ele não podia pagar, talvez nem quisesse.
Apesar que ele pediu desculpas, tantas vezes que a irritou. porque desculpas são apenas justificativas pra um erro que poderia ter sido evitado, se a pessoa quisesse no momento. Ele justificou pelo seus medos, inseguranças, traumas, e tantos outros motivos que ela não entendia, ou talvez não quisesse entender.
De repente ela se perguntou o que estava fazendo ali. Conhecer o apartamento novo dele e dar palpites na decoração, se preocupar em como está a família, e o trabalho, e o cachorro... tudo isso era tarefa de alguém que ocupa outro cargo na vida dele, ou então talvez sempre tenha sido este o cargo destinado a ela por ele: o de amiga que as vezes supri alguma carência.
As coisas foram jogadas as claras, colocadas em papel branco e limpo, era necessário apenas uma assinatura pra firmar aquele acordo de desapego, a partir dali as coisas começariam a fazer mais sentido, e era preciso tudo ser dito, esclarecido, e foi. Tudo era bem mais simples do que ela pensava, por que tudo era nada. Tudo que ela poderia ter era o presente, neste exato sentido: o presente dado no presente. Não existiria nunca um amanhã. Sem cobranças e sem destino, era tudo mais simples e menos romântico, era carnal. Carnal com “amizade, respeito e lealdade” foi o que ele disse. Pela primeira vez ela entendeu, mas entendeu sabendo que não havia de guardar o presente, precisava apenas recebê-lo.
Ela entendeu decidiu receber o presente apenas como presente. Algum presente do tipo que se usa, sorri e joga fora no dia seguinte, sem ressentimentos e nem tristeza, pelo contrario, com o sorriso de quem espera o próximo presente, contudo não se importando com quem porta o presente. Ela aprendeu a se interessar mais pelo presente do que pelo dono dele.
No outro dia, ela acordou com um cartão que não tinha vindo no presente, que ele mandou depois só pra lembra-lá quem foi o presenteador. Ela o leu e jogou fora, pois o momento do presente já tinha passado, o dono já tinha ido embora, não tinha sentido algum guardar o cartão, afinal de contas eles tinham feito um acordo assinado de desapego. E ela finalmente tinha compreendido ele como ele realmente é, alguém que só precisava de respeito, amizade e lealdade. Ela entendeu que só podemos cobrar aquilo que podemos dar, e vice-versa.
De repente ela se perguntou o que estava fazendo ali. Conhecer o apartamento novo dele e dar palpites na decoração, se preocupar em como está a família, e o trabalho, e o cachorro... tudo isso era tarefa de alguém que ocupa outro cargo na vida dele, ou então talvez sempre tenha sido este o cargo destinado a ela por ele: o de amiga que as vezes supri alguma carência.
As coisas foram jogadas as claras, colocadas em papel branco e limpo, era necessário apenas uma assinatura pra firmar aquele acordo de desapego, a partir dali as coisas começariam a fazer mais sentido, e era preciso tudo ser dito, esclarecido, e foi. Tudo era bem mais simples do que ela pensava, por que tudo era nada. Tudo que ela poderia ter era o presente, neste exato sentido: o presente dado no presente. Não existiria nunca um amanhã. Sem cobranças e sem destino, era tudo mais simples e menos romântico, era carnal. Carnal com “amizade, respeito e lealdade” foi o que ele disse. Pela primeira vez ela entendeu, mas entendeu sabendo que não havia de guardar o presente, precisava apenas recebê-lo.
Ela entendeu decidiu receber o presente apenas como presente. Algum presente do tipo que se usa, sorri e joga fora no dia seguinte, sem ressentimentos e nem tristeza, pelo contrario, com o sorriso de quem espera o próximo presente, contudo não se importando com quem porta o presente. Ela aprendeu a se interessar mais pelo presente do que pelo dono dele.
No outro dia, ela acordou com um cartão que não tinha vindo no presente, que ele mandou depois só pra lembra-lá quem foi o presenteador. Ela o leu e jogou fora, pois o momento do presente já tinha passado, o dono já tinha ido embora, não tinha sentido algum guardar o cartão, afinal de contas eles tinham feito um acordo assinado de desapego. E ela finalmente tinha compreendido ele como ele realmente é, alguém que só precisava de respeito, amizade e lealdade. Ela entendeu que só podemos cobrar aquilo que podemos dar, e vice-versa.
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"Cada vez acredito mais naquela máxima freudiana (ou metida a freudiana, nunca sei direito) de que a mulher ama, na verdade, o próprio amor que sente." Tati Bernardi
Carnal com “amizade, respeito e lealdade”..
ResponderExcluirlindo o texto! Espero que seja uma lição boa q vc aprendeu e agora é só fazer o que deve ser feito com ela.. rs
lindo... mto verdade.. a gente ama o amor que tem!
beeeeeijo